- A articulação de UEFA, Concacaf e AFC para pressionar Infantino ganhou novos contornos ao revelar que a oposição não é unânime nem mesmo dentro das confederações
- Na Concacaf, a divisão aparece de forma evidente entre Estados Unidos e Canadá, alinhados às críticas, e o México, que decidiu apoiar o dirigente
- A diferença de posicionamento chama atenção especialmente porque os três países formam o grupo que recebeu a Copa do Mundo de 2026
A articulação de UEFA, Concacaf e AFC para pressionar Gianni Infantino ganhou novos contornos ao revelar que a oposição ao presidente da FIFA não é unânime nem mesmo dentro das próprias confederações.
Na Concacaf, a divisão aparece de forma evidente entre Estados Unidos e Canadá, alinhados às críticas, e o México, que decidiu apoiar o dirigente.
A diferença de posicionamento chama atenção especialmente porque os três países formam o grupo que recebeu a Copa do Mundo de 2026. Enquanto as federações norte-americana e canadense aderiram publicamente ao movimento por mudanças na governança da FIFA, a Federação Mexicana manteve uma postura favorável a Infantino.
O cenário também ganha peso político pela presença de Victor Montagliani no comando da Concacaf. Canadense, o dirigente é apontado como possível candidato à presidência da entidade máxima do futebol na eleição prevista para 2027.
A US Soccer e a Canada Soccer divulgaram posicionamentos próprios em apoio à carta assinada pelas confederações que fazem oposição a Infantino. O documento cobra mudanças na condução da organização e defende a realização de uma investigação independente sobre os acontecimentos que desencadearam a atual crise.
A União Centro-Americana de Futebol (Uncaf) e a União Caribenha de Futebol (CFU) também se juntaram ao movimento. Em comunicado conjunto, as entidades afirmaram que defendem uma transformação capaz de ampliar a governança, a transparência e a responsabilização dentro da FIFA.
A postura representa um novo sinal de pressão sobre Infantino, que vem enfrentando questionamentos desde a apresentação de uma proposta envolvendo a criação da FFE, empresa que receberia investimentos privados.
A posição mexicana, por outro lado, já vinha se desenhando antes mesmo do agravamento da crise. Quando a proposta comercial foi apresentada, a Federação Mexicana não acompanhou imediatamente a linha adotada pela Concacaf e informou que analisaria o projeto.
Mesmo depois de a iniciativa ser retirada e de Infantino pedir desculpas pela condução do processo, a confederação continuou manifestando críticas. A federação mexicana, entretanto, adotou uma postura diferente e declarou apoio ao presidente da FIFA.
O posicionamento mexicano também aproxima o país da Conmebol. Na América do Sul, o presidente Alejandro Domínguez se encontrou com Infantino na última sexta-feira, reforçando publicamente uma relação de apoio ao dirigente em meio à disputa política.
Na Oceania, a reação tem sido mais cautelosa. A Confederação de Futebol da Oceania (OFC) não aderiu de maneira explícita a nenhum dos lados da disputa.
A Nova Zelândia, principal força da confederação desde que a Austrália passou a integrar a AFC, demonstrou preocupação com a proposta da FFE quando ela foi apresentada.
A federação neozelandesa questionou tanto o conteúdo da iniciativa quanto a maneira como o projeto havia sido desenvolvido e levado a público.
A manifestação, porém, não evoluiu para um alinhamento formal com o grupo que atualmente pressiona Infantino. Enquanto as confederações e federações discutem os próximos passos, a própria FIFA endureceu o discurso em defesa de seu presidente.
No último sábado, a entidade afirmou que não apoiará nem permitirá qualquer iniciativa relacionada à eleição presidencial que esteja em desacordo com seus estatutos.
A mensagem representa uma resposta direta às movimentações que buscam ampliar a pressão sobre Infantino antes da eleição de 2027. A entidade também questionou a tentativa de transformar denúncias e questionamentos públicos em uma alternativa ao processo eleitoral.
O conflito, portanto, ultrapassa a discussão sobre a proposta da FFE. O episódio passou a revelar uma disputa política mais ampla pelo comando do futebol mundial, com as confederações divididas e diferentes federações escolhendo caminhos próprios.





