Inovação

Fê Medeiros amplia atuação no basquete e transforma experiência como creator em novos negócios

Profissional chega a uma nova etapa da carreira com presença em grandes transmissões, fortalecimento de sua comunidade e projetos voltados ao desenvolvimento de creators no esporte

27 de agosto de 2026

10 minutos de Leitura

⚡ Jogo Rápido
  • Há mais de dez anos no digital, Fê Medeiros construiu uma trajetória que combina criação de conteúdo, transmissões e coberturas de grandes eventos internacionais.
  • O Central do Basquete ampliou essa atuação com uma comunidade que se relaciona diariamente e participa de iniciativas dentro e fora das plataformas digitais.
  • Com a chegada à Ge TV e uma nova frente dedicada a outros creators, Fê Medeiros amplia sua presença na indústria de mídia e conteúdo esportivo.

A trajetória de Fê Medeiros ajuda a acompanhar uma transformação importante no mercado brasileiro de mídia esportiva. Criadores que construíram audiência e linguagem próprias nas redes passaram a ocupar transmissões, cobrir presencialmente grandes eventos, desenvolver propriedades de conteúdo e estabelecer relações comerciais sustentadas pela proximidade com comunidades específicas.

Especialista em esportes, Fê Medeiros percorreu diferentes etapas desse movimento tendo o basquete como principal território. Há mais de dez anos produzindo conteúdo e desde 2015 dedicado à modalidade nas redes sociais, ele avançou para programas e transmissões, criou o Central do Basquete e acumulou experiências em competições internacionais. Agora, acrescenta duas novas frentes à carreira. Já ocupa a cadeira de comentarista da BIG3 na Ge TV e começa a estruturar uma atuação voltada ao desenvolvimento de outros criadores de conteúdo esportivo.

A entrada no projeto do Grupo Globo amplia sua presença em transmissões e acontece justamente em uma plataforma criada para dialogar com hábitos de consumo desenvolvidos no ambiente digital. Para Medeiros, levar o basquete para esse início de operação também representa a possibilidade de ampliar o espaço da modalidade dentro da programação.

“Estar na Ge TV em um projeto pioneiro como esse é muito gratificante e importante. É o pontapé inicial para marcar território e mostrar que a Ge TV também tem basquete, que as pessoas vão poder assistir e se entreter com uma modalidade que cresce cada vez mais e que fala muito sobre lifestyle, cultura e, claro, esporte. Então, participar desse primeiro momento e estar nas transmissões me deixa muito honrado. É o resultado de um trabalho que venho fazendo há muitos anos e que agora ganha um novo espaço e um novo reconhecimento. Estou muito feliz e espero que seja o primeiro de muitos projetos”, disse em entrevista ao MKTEsportivo.

A novidade se conecta a uma carreira desenvolvida principalmente a partir das mudanças no consumo de esporte. O crescimento das plataformas abriu espaço para profissionais com formatos e linguagens diferentes daqueles historicamente associados às transmissões. No caso de Medeiros, essa construção começou diretamente nas redes e ganhou novas dimensões conforme sua atuação avançou para outros ambientes.

“Há dez anos comecei a trabalhar no digital com a possibilidade de ampliar a minha voz e, desde 2015, venho falando sobre basquete nas redes sociais. Existe uma conexão muito forte entre o esporte e essa audiência porque é uma linguagem jovem, divertida e espontânea. Então, acho que essa aproximação entre entretenimento, esporte e digital acontece de forma muito natural”, afirmou.

Ao longo desse período, a atuação de Fê Medeiros também avançou para fora das redes. O profissional passou a participar de transmissões e acumulou experiências presenciais em alguns dos principais eventos do calendário esportivo internacional. Esteve na Indonésia para a Copa do Mundo de Basquete, no Chile durante os Jogos Pan-Americanos e em Paris para os Jogos Olímpicos. Para ele, essa presença continua sendo parte importante da construção de conteúdo, enquanto as plataformas digitais ampliam o alcance dessas experiências.

“Eu sou da rua, das quadras, e sei que o ambiente físico também faz muita diferença. Tive a oportunidade de cobrir a Copa do Mundo de Basquete na Indonésia, os Jogos Pan-Americanos no Chile e as Olimpíadas de Paris, tudo in loco, e sei da importância de estar presente fisicamente nesses grandes projetos. Mas o digital veio para dar mais capilaridade às nossas transmissões. Hoje, é muito importante estar conectado tanto com a rua, quanto com o digital para conseguir atender às necessidades e expectativas de quem acompanha o esporte”, completou.

Da criação de conteúdo às grandes transmissões

A ampliação dos espaços ocupados por Fê Medeiros também trouxe uma exigência profissional diferente. Produzir para uma audiência própria nas redes e participar de uma transmissão com milhares de pessoas simultaneamente envolvem ritmos, responsabilidades e códigos distintos. A linguagem desenvolvida no digital permanece como parte de sua identidade, mas precisa conviver com informação técnica e com as características editoriais de cada projeto.

Essa evolução também aumentou seu acesso aos principais personagens da modalidade. Ele conta já ter entrevistado Kevin Durant e Victor Wembanyama, conversado com Steve Kerr e além de um contato com Stephen Curry. São experiências que reforçam uma trajetória na qual a presença nos grandes eventos passou a alimentar também o conteúdo distribuído posteriormente para sua audiência.

“Já tive a oportunidade de entrevistar atletas do dream team, como Kevin Durant e Victor Wembanyama, falar com Steve Kerr e até cumprimentar e conversar com Stephen Curry. Por isso digo que estar in loco é tão importante. Mas trazer essas experiências para uma linguagem mais espontânea e divertida, como a que construí na internet, é sempre um desafio”, destacou.

Para ele, encontrar esse equilíbrio passa pelo conceito de “infotenimento”, combinação que ganhou relevância conforme as próprias transmissões esportivas incorporaram características das plataformas digitais. A leitura é especialmente direcionada às gerações mais jovens, acostumadas a consumir informação dentro de formatos menos rígidos e com maior presença de entretenimento.

“A gente precisa estar muito antenado e, ao mesmo tempo, respeitar os limites de uma transmissão que tem milhares de pessoas assistindo. É saber equilibrar até onde vai o entretenimento e até onde entra a informação mais técnica e séria. É o chamado infotenimento. Quem trabalha com digital hoje precisa saber informar de uma maneira divertida, porque principalmente a geração Z não quer necessariamente um formato tão quadrado ou tradicional. A informação precisa estar ali, a parte técnica também, mas com entretenimento. É sempre um desafio e também aquele friozinho na barriga quando a gente está no ar”, enfatizou.

Central do Basquete e o valor da comunidade

Em paralelo às experiências em veículos e transmissões, Fernando desenvolveu uma propriedade própria. O Central do Basquete foi criado como uma plataforma dedicada integralmente à modalidade e cresceu para reunir Instagram, TikTok, YouTube, comunidade no WhatsApp e encontros presenciais.

Essa estrutura adicionou outra dimensão à relação com a audiência. O contato com a audiência passou a ocorrer diariamente, inclusive fora das redes abertas. Os encontros mensais para jogar basquete reforçam essa aproximação física, enquanto colaborações com outros perfis também colocam o Central como espaço de circulação para novos produtores.

“O Central do Basquete é uma plataforma que criei para falar 100% sobre a modalidade e, principalmente, para criar um movimento em torno dela. A gente faz encontros mensais para jogar, tem uma comunidade no WhatsApp, canal no YouTube, TikTok e Instagram. É um hub de comunicação sobre basquete”, explicou.

A construção desse ecossistema também passa pela abertura para outros nomes interessados em produzir sobre a modalidade. Para Fê, a força alcançada pelo projeto está diretamente relacionada à frequência da relação estabelecida com quem acompanha o Central.

“Também fazemos colaborações com outros perfis e com pessoas que estão começando a criar conteúdo. É como se fosse uma porta aberta para o digital, para muita gente que se conecta com a plataforma de forma orgânica e espontânea. É uma comunidade muito forte, a gente se fala todos os dias, o dia inteiro. Por isso, o Central do Basquete acabou se tornando um selo, um hub que extrapola a própria modalidade”, completou.

Essa relação tem reflexos comerciais. Com a expansão da creator economy, marcas passaram a observar com maior profundidade a capacidade de um profissional estabelecer vínculos dentro de determinado segmento. Alcance continua relevante, mas características como credibilidade, conhecimento e proximidade com uma comunidade ajudam a definir o valor de uma associação.

Medeiros faz uma distinção entre o papel do influenciador e o trabalho desenvolvido por um criador de conteúdo. Na avaliação dele, uma base numerosa de seguidores não garante, isoladamente, influência ou capacidade de construir comunidade.

“Existe uma diferença muito grande entre criador de conteúdo e influenciador. As marcas começaram a perceber isso cada vez mais, e a construção de comunidade é um dos principais pilares para avaliar o sucesso de um creator dentro do seu nicho”, salientou.

A credibilidade aparece como componente central dessa relação. No basquete, a experiência acumulada ao longo de uma década e a presença recorrente dentro do ambiente da modalidade sustentam, segundo ele, tanto sua relação pessoal com o público quanto o posicionamento comercial do Central do Basquete.

“Não basta ter milhões de seguidores para construir uma comunidade ou influenciar pessoas. É muito mais sobre credibilidade, experiência e vivência dentro daquele segmento. A oportunidade de ser um dos porta-vozes dessa comunidade do basquete no Brasil faz com que a credibilidade sobre aquilo que eu falo e faço esteja sempre em primeiro lugar quando uma marca olha para mim como Fê Medeiros ou para o Central do Basquete”, completou.

Uma nova frente dentro da creator economy

Depois de transformar o basquete em território para conteúdo, transmissões e uma comunidade própria, Fê Medeiros começa a explorar uma nova possibilidade profissional. A experiência acumulada em mais de dez anos passa a ser utilizada para auxiliar outros creators interessados em construir projetos dentro do esporte.

A iniciativa acompanha a expansão da creator economy brasileira e uma maior especialização dos profissionais que trabalham nesse mercado. Para Medeiros, ainda existe uma lacuna quando o recorte chega especificamente à criação de conteúdo esportivo, especialmente entre pessoas que conhecem determinada modalidade, mas encontram dificuldades para transformar esse conhecimento em um produto ou projeto.

“Estou dando um novo passo na minha carreira, fazendo com que as pessoas também me enxerguem como esse cara que cria conteúdo há mais de dez anos, mas que pode ajudar outros creators. A nossa creator economy só cresce, e o Brasil é um dos países com maior número de creators. Quando falamos de criação de conteúdo esportivo, muitas vezes falta um norte, alguém que possa orientar quem está começando”, afirmou.

A proposta amplia seu posicionamento profissional para além da produção destinada à própria audiência. O conhecimento acumulado sobre formatos, construção de comunidade, presença em transmissões e desenvolvimento de projetos passa a integrar essa nova frente.

“Então estou assumindo esse papel. Estou colocando esse boné e assumindo a responsabilidade de dizer: “Vem aqui comigo. Vamos trocar uma ideia, desenvolver um produto, um projeto ou um conteúdo para você que ama esporte e que ainda está receoso ou começando a criar conteúdo nessa categoria””, acrescentou.

Para ele, compartilhar essa experiência também mantém aberta uma relação de troca com quem está começando agora, em um mercado que se transforma rapidamente e exige atualização constante de quem já construiu uma trajetória dentro dele.

“Acho que existe muito espaço para compartilhar o que aprendi nesses mais de dez anos e, ao mesmo tempo, continuar aprendendo com quem está chegando agora”, finalizou.

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