Indústria

Fifa demite diretor de operações em meio à crise envolvendo projeto de subsidiária comercial

Kevin Lamour havia criticado a proposta de Gianni Infantino para concentrar ativos comerciais em uma nova empresa e vender participação minoritária a investidores

Kevin Lamour deixou o cargo de diretor de operações da Fifa após se posicionar contra a criação da Fifa Forward Enterprises (FFE), projeto defendido por Gianni Infantino.

18 de agosto de 2026

4 minutos de Leitura

⚡ Jogo Rápido
  • Kevin Lamour deixou o cargo de diretor de operações da Fifa após se posicionar contra a criação da Fifa Forward Enterprises (FFE), projeto defendido por Gianni Infantino.
  • Proposta prevê reunir direitos comerciais de propriedades como a Copa do Mundo em uma subsidiária e negociar 20% da empresa por valor estimado em US$ 4,2 bilhões.
  • Saída ocorre enquanto Infantino enfrenta resistência de federações e dirigentes de diferentes confederações antes da próxima eleição presidencial da entidade.

A crise interna provocada pelo projeto de reorganização dos ativos comerciais da Fifa ganhou um novo capítulo. Kevin Lamour deixou o cargo de diretor de operações da entidade nesta segunda-feira (17), após ter se tornado uma das principais vozes internas contrárias à criação da Fifa Forward Enterprises (FFE).

A saída foi inicialmente noticiada pelo Inside World Football e posteriormente confirmada pela própria Fifa. Lamour ocupava uma das posições executivas mais relevantes da organização e havia trabalhado na entidade durante os últimos dois anos.

O rompimento acontece depois de o executivo tornar públicas suas críticas à proposta conduzida pelo presidente Gianni Infantino. O projeto prevê a criação de uma subsidiária responsável por concentrar direitos comerciais relacionados às principais propriedades da Fifa, incluindo a Copa do Mundo.

Pelo desenho apresentado, uma participação minoritária de 20% da FFE seria negociada com Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner, genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O negócio é estimado em US$ 4,2 bilhões.

A proposta desencadeou uma disputa que ultrapassou a estrutura administrativa da Fifa e chegou às federações nacionais. Entidades filiadas a Uefa, Concacaf e AFC passaram a questionar a condução do projeto e a própria permanência de Infantino na presidência, enquanto articulações contrárias à sua reeleição ganharam espaço.

Lamour passou a ocupar posição central nesse ambiente depois de contestar abertamente a forma como a iniciativa vinha sendo conduzida. No fim de julho, em manifestação enviada à Associated Press, afirmou que os funcionários da entidade “merecem algo melhor do que desprezo e intimidação”.

As divergências também alcançaram diretamente o modelo de governança da futura subsidiária. Em uma de suas manifestações, Lamour classificou a FFE como “o projeto de uma só pessoa” e defendeu que a proposta fosse interrompida.

“Este projeto não só não deve prosseguir… como chegou a hora de os líderes políticos do futebol se questionarem corretamente e tomarem as decisões certas”, declarou.

A saída do executivo amplia uma sequência de mudanças no alto escalão da entidade em um período marcado por divergências em torno da FFE. Segundo o Inside World Football, Lamour teria recebido uma compensação financeira relevante em sua rescisão, condicionada à interrupção de novas manifestações públicas sobre o projeto de venda e outros assuntos relacionados à organização.

A Fifa adotou uma comunicação breve sobre o encerramento do vínculo. Em posicionamento encaminhado ao The Athletic, agradeceu ao executivo pelo período de dois anos em que trabalhou na organização e desejou “muita sorte para o futuro”.

“Nenhum comentário adicional será feito sobre o assunto”, informou a entidade.

A saída ocorre enquanto as discussões sobre a FFE também provocam consequências na estrutura política que sustenta Infantino. O presidente ainda conta com apoio relevante de entidades ligadas à África, América do Sul e Oceania, além de federações que mantêm posições diferentes das respectivas confederações continentais.

Na Europa, entretanto, novas federações passaram a tornar pública a oposição ao dirigente. A Federação Escocesa de Futebol informou que não pretende apoiar Infantino na eleição presidencial prevista para março, juntando-se às associações de Inglaterra, Irlanda e País de Gales.

Outro movimento ocorreu dentro do próprio Conselho da Fifa. Sándor Csányi, presidente da Federação Húngara de Futebol e um dos oito vice-presidentes do órgão, retirou seu apoio a Infantino.

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