- O modelo de formação de atletas adotado pelos clubes espanhóis aparece como um dos principais fatores por trás do desempenho da Espanha no futebol internacional
- Estudo aponta que existe uma relação direta entre o investimento na base, a presença de atletas formados localmente e a geração de receitas para os times
- Os números colocam a Espanha à frente dos principais concorrentes europeus em títulos conquistados no período analisado
O modelo de formação de jogadores adotado pelos clubes espanhóis aparece como um dos principais fatores por trás do desempenho da Espanha no futebol internacional na última década.
Segundo análise elaborada pelo departamento responsável pelo Plano Nacional de Academias de Jovens, existe uma relação direta entre o investimento nas categorias de base, a presença de atletas formados localmente nas seleções e a geração de receitas para os clubes.
Os números colocam a Espanha à frente dos principais concorrentes europeus em títulos conquistados no período analisado. A Alemanha soma nove troféus, a Inglaterra tem sete, enquanto França e Portugal contabilizam seis cada. Holanda e Itália aparecem na sequência, com cinco e quatro títulos, respectivamente.
O impacto financeiro do modelo é um dos principais argumentos apresentados pelo estudo. Dos 26 jogadores convocados pela Espanha para a Copa do Mundo de 2026, 25 passaram por categorias de base.
Além disso, 11 clubes da LaLiga aparecem entre as instituições responsáveis pela formação dos atletas que integraram a equipe campeã. Ao longo das carreiras desses jogadores, os times que participaram de sua formação e posteriormente os transferiram obtiveram mais de € 466 milhões em receitas.
O cálculo não considera indenizações por formação nem outros mecanismos de custeios previstos no futebol, o que indica que o retorno financeiro total pode ser superior.
Outro componente relevante está nos nove campeões mundiais que continuam vinculados aos clubes onde foram formados. De acordo com a LaLiga, esses jogadores representam aproximadamente € 545 milhões em valor esportivo e financeiro.
Considerados em conjunto, os valores ultrapassam €1 bilhão entre transferências já realizadas e patrimônio esportivo e financeiro mantido pelos clubes.
O levantamento também relaciona a utilização de jogadores formados nas próprias categorias de base à competitividade das equipes. Na temporada 2025/26, a elite do futebol espanhol registrou 20,1% dos minutos disputados por atletas formados nas equipes, maior percentual entre as cinco principais ligas europeias.
A Ligue 1 aparece em segundo lugar, com 16,1%, seguida pela Bundesliga, com 11,9%, pela Premier League, com 8,3%, e pela Serie A, com 7,6%.
Dentro da própria Espanha, o Athletic Bilbao apresentou a maior participação de jogadores formados na base, com 69,5% dos minutos disputados. A Real Sociedad ficou em segundo, com 55,2%, seguida pelo Barcelona, com 47,5%, Celta, com 43,1%, Osasuna, com 26,1%, e Sevilla, com 25%.
Os dados reforçam a dimensão estratégica das categorias de base para além da formação esportiva. O desenvolvimento de jogadores pode representar simultaneamente uma fonte de talentos para as equipes profissionais, um mecanismo de identidade dos clubes e um ativo econômico de longo prazo.






