- O processo eleitoral do Santos começou com o lançamento da candidatura de Maurício Maruca à presidência do clube
- Em um hotel na capital paulista, o candidato apresentou o projeto de sua chapa, que terá Rodrigo Marino, postulante na eleição passada
- O principal ponto do discurso, porém, foi a crítica ao processo de transformação do Peixe em SAF
O processo eleitoral do Santos começou com o lançamento da candidatura de Maurício Maruca à presidência do clube. Em um hotel na capital paulista, o candidato apresentou o projeto de sua chapa, que terá Rodrigo Marino, postulante na eleição passada, como vice-presidente.
O principal ponto do discurso, porém, foi a crítica ao processo de transformação do Peixe em Sociedade Anônima do Futebol (SAF).
Maruca, opositor da gestão de Marcelo Teixeira, questionou o momento escolhido para o avanço da negociação, principalmente pela proximidade com a eleição presidencial, prevista para o fim do ano.
Os investidores envolvidos no projeto de SAF serão apresentados ao Conselho Deliberativo no próximo dia 31. Para Maruca, a operação deveria ser submetida a um período mais longo de análise, com participação dos conselheiros e associados e realização de todas as diligências necessárias antes de qualquer decisão.
“Acho muito temerário o que está acontecendo. Não vou dizer se é certo ou errado, se é uma empresa que vale a pena ser analisada ou não. O momento é completamente errado. Você está na beira de uma eleição, é um processo que tem que ser feito com muito tempo para ser analisado”, disse.
O candidato também contestou o argumento de que a negociação já estaria em andamento há cerca de um ano. Segundo ele, o período de tratativas não substitui a necessidade de que Conselho Deliberativo e sócios tenham conhecimento das condições da proposta e tempo suficiente para avaliá-la.
“Você não pega uma proposta e analisa por um mês. Tem diligências de todas as partes, que leva meses a meses, não adianta falar que negocia há um ano, pois conselho e sócio tinham que estar cientes disso. Tenho muito medo do que possa a acontecer que venha para a frente”, acrescentou.
Na sexta-feira passada, o Santos assinou um sumário de termos com as condições para a venda de sua SAF à SDC Sports, empresa norte-americana. A assinatura do documento ainda não é vinculante e está sujeita a uma série de aprovações no Conselho Deliberativo e na Assembleia Geral para que o processo avance até uma proposta definitiva.
Em fevereiro, a oferta apresentada previa R$ 1 bilhão em aporte para o futebol e mais R$ 1 bilhão para o pagamento de dívidas, em troca de 80% do controle do clube.
Apesar das críticas ao processo conduzido atualmente, Maruca afirmou ser favorável ao modelo de SAF no futebol brasileiro. A discordância, segundo o candidato, está relacionada à forma como a operação vem sendo estruturada no Santos.
“Muitos conselheiros estão enxergando. Sou defensor da SAF no Brasil, mas tem que ser feita com critério, tem que ser feita transparência, e com honestidade. Estamos propondo que se coloque o Santos em uma situação melhor para uma eventual SAF, com CNPJ novo, 100% Santos. O Santos precisa se utilizar isso”, afirmou.
A proposta apresentada por Maruca prevê que o clube seja preparado para uma eventual transformação em SAF antes da definição sobre a venda. O candidato defende a criação de um novo CNPJ e a preservação de 100% da identidade da agremiação dentro da estrutura.
O candidato também defendeu que uma eventual venda seja submetida a uma concorrência internacional, permitindo que diferentes interessados apresentem propostas. A ideia é evitar que o processo seja estruturado em torno de um único investidor previamente definido.
“Se no fim desse processo, os sócios entenderem que é importante que a SAF seja colocada para ser vendida, ela será. Tem que ver uma licitação internacional. Abrir para se fazer propostas. Não acredito que se façam SAF para uma proposta que está direcionada. As propostas têm que vir para uma SAF que está aberta, e hoje não está acontecendo nada disso”, concluiu.
Além da discussão sobre a SAF, Maruca apresentou nomes e parceiros que fariam parte de sua administração em caso de vitória na eleição. A candidatura anunciou a Outfield como parceira estratégica na área financeira.
O candidato também afirmou que Luciano Paciello, diretor financeiro do Palmeiras entre 2013 e 2018, assumiria a mesma posição no Santos. A proposta administrativa apresentada pela chapa tem como uma das premissas a busca por maior controle financeiro.
A situação de Neymar também foi abordada durante o lançamento da candidatura. O atacante, que tem contrato com o Santos, foi tratado por Maruca como um dos principais temas que estarão presentes no planejamento do clube independentemente do resultado da eleição.
“Não é dúvida que o Neymar é um ídolo do clube e da torcida, e tem que ser respeitado como tal. Temos alguns meses pela frente, e o fator Neymar é presente e vai estar presente quando acabar essa eleição. Vamos conversar, mas sempre o que for melhor para o Santos”, pontuou.
Maruca afirmou que uma eventual decisão sobre a permanência do atacante será tomada levando em consideração os interesses do clube. O candidato evitou antecipar uma posição definitiva sobre a continuidade do jogador.
“Se a gente entender que o melhor para o Santos é tentar manter, vamos brigar por isso. Se for melhor que o Neymar sair, vamos aceitar. Neymar é um patrimônio histórico e vai ser respeitado assim. Mas o melhor para o Santos é sempre o que será feito sempre”, finalizou Maruca.





