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Sorteio da Copa Feminina de 2027 será no MAM Rio em dezembro

Evento reunirá mais de mil convidados e definirá os grupos do primeiro Mundial feminino disputado na América do Sul

Foto: Reprodução/ Instagram

25 de agosto de 2026

4 minutos de Leitura

⚡ Jogo Rápido
  • O sorteio da Copa do Mundo Feminina de 2027 será realizado em 11 de dezembro, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.
  • Mais de 800 mil pessoas já demonstraram interesse em ingressos, enquanto 95 mil se cadastraram para participar do programa de voluntariado.
  • A preparação acontece em tensão institucional na FIFA, após federações europeias ameaçarem boicotar competições da entidade em meio à crise envolvendo sua estrutura comercial.

A Copa do Mundo Feminina de 2027 terá um de seus principais eventos preparatórios no Rio de Janeiro. A FIFA confirmou nesta terça-feira (25) que o sorteio dos grupos será realizado em 11 de dezembro, no Museu de Arte Moderna (MAM), localizado no Parque do Flamengo, às margens da Baía de Guanabara.

A escolha também incorpora a identidade brasileira à apresentação internacional do torneio. Fundado em 1948, o MAM é uma das principais instituições culturais do país, com edifício projetado por Affonso Eduardo Reidy e jardins de Roberto Burle Marx. A FIFA relacionou o espaço ao conceito de “futebol arte”, conexão que também aparece na identidade visual da competição, desenvolvida com trabalhos de artistas brasileiras para representar as cidades-sede.

Mais de mil convidados são esperados para a cerimônia, entre representantes das seleções, parceiros comerciais, autoridades e profissionais de mídia. Também estarão presentes delegações de países que ainda disputarão a repescagem internacional, programada para fevereiro de 2027.

O sorteio distribuirá as 32 seleções pelos oito grupos e permitirá à FIFA concluir uma etapa importante do planejamento esportivo. Depois da definição das chaves, a entidade publicará uma atualização da tabela com a distribuição dos confrontos da fase de grupos pelas cidades e os respectivos horários.

O Mundial será disputado entre 24 de junho e 25 de julho de 2027, com 64 partidas espalhadas por Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo. Será a primeira edição da Copa do Mundo Feminina realizada na América do Sul.

Demanda já aparece antes da abertura das vendas

A FIFA pretende transformar a edição brasileira também em um novo marco de público para o torneio. Embora a comercialização dos ingressos ainda esteja por vir, mais de 800 mil pessoas já registraram interesse em receber informações sobre as entradas. O programa de voluntários também contabiliza mais de 95 mil manifestações de interesse para aproximadamente 6 mil posições previstas durante a competição.

Os indicadores iniciais ganham importância diante das ambições comerciais para 2027. A edição realizada por Austrália e Nova Zelândia, em 2023, estabeleceu novos parâmetros de público e receitas para a competição, enquanto o Brasil oferece à FIFA uma combinação de mercado consumidor, cultura de futebol e horários favoráveis para importantes audiências internacionais.

O país também terá uma operação geograficamente mais concentrada do que a edição anterior, disputada em duas nações e com grandes distâncias entre algumas sedes. Em 2027, as oito cidades estarão distribuídas pelo território brasileiro, com Rio de Janeiro e São Paulo entre os principais centros esportivos e comerciais da competição.

A própria FIFA já trata a edição como candidata a estabelecer o maior público acumulado da história da Copa do Mundo Feminina.

Mundial avança durante crise institucional na FIFA

O planejamento comercial e operacional acontece, porém, em um momento particularmente delicado para a entidade. A proposta apresentada pela FIFA para transferir parte de seus ativos comerciais a uma nova companhia com participação de investidores privados desencadeou forte oposição de diferentes confederações.

Em julho, as 55 federações integrantes da UEFA aprovaram por unanimidade um boicote às competições da FIFA enquanto o projeto permanecesse em discussão. A medida alcançava também torneios femininos e colocava a Copa de 2027 diretamente no centro da disputa institucional.

A pressão não ficou restrita à Europa. AFC e Concacaf também se posicionaram contra a proposta, ampliando a resistência entre as 211 associações que compõem a FIFA. Diante da reação, a entidade retirou o plano de venda de até 20% da nova estrutura comercial, que havia sido avaliada em aproximadamente US$ 20 bilhões.

A retirada reduziu o risco imediato associado ao projeto que provocou o movimento europeu, mas não encerrou a crise política. A Federação Dinamarquesa, por exemplo, retirou publicamente seu apoio a Gianni Infantino e afirmou que pretende apoiar uma candidatura alternativa na eleição presidencial da FIFA marcada para março de 2027.

Por isso, a ameaça de boicote precisa ser tratada com uma atualização importante em relação ao cenário inicialmente apresentado. A FIFA abandonou o projeto que motivou a decisão das federações europeias, mas a oposição política a Infantino permanece. A tensão ocorre justamente durante o ciclo de preparação para o Mundial feminino no Brasil.

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