Atletas

Tifanny desabafa após CBV limitar participação no vôlei feminino a atletas do sexo biológico

Primeira mulher trans a disputar a Superliga afirmou que a decisão não afeta apenas sua carreira, mas também o Osasco, fãs, patrocinadores e a comunidade que se inspira em sua trajetória

Foto: Divulgação/@tifannyabreu10

17 de agosto de 2026

3 minutos de Leitura

A Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) anunciou na sexta-feira (14) uma nova política de elegibilidade para suas competições que limita a participação no vôlei feminino a atletas do sexo biológico feminino. A normativa assinada pela presidência da entidade estabelece o teste do gene SRY como critério para definir a participação na categoria.

A medida revoga a regra anterior, que permitia a participação de atletas trans nos torneios femininos desde que mantivessem os níveis de testosterona sérica abaixo de um limite estabelecido durante um período mínimo antes da inscrição.

A nova resolução aproxima as regras do voleibol de quadra e de praia no Brasil das diretrizes atualmente adotadas pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) e pela Federação Internacional de Voleibol (FIVB).

Dessa forma, identidade de gênero, sexo registrado em documentos civis, tratamentos de afirmação de gênero ou redução dos níveis de testosterona por meio de tratamento hormonal deixam de ser, isoladamente, critérios suficientes para a elegibilidade na categoria.

A decisão gerou diferentes reações no cenário esportivo. Entre os casos diretamente relacionados à nova política está o de Tifanny Abreu, ponteira do Osasco e primeira mulher trans a disputar uma partida oficial da Superliga feminina. Com a alteração das regras, a atleta poderá ficar impedida de atuar na competição feminina.

Em manifestação sobre a decisão, Tifanny afirmou que a mudança representa uma perda profissional e pessoal, já que o voleibol é sua principal atividade e parte central de sua trajetória. A jogadora também destacou que os efeitos da medida ultrapassam sua situação individual e atingem o clube, torcedores, patrocinadores e pessoas trans que acompanham sua história.

A atleta também classificou a nova política como um retrocesso nas discussões sobre reconhecimento e inclusão no esporte e criticou a adoção de critérios relacionados ao sexo biológico.

O Osasco, clube que conta com Tifanny desde 2021, também se manifestou após o anúncio da CBV. A equipe declarou ter recebido a informação sobre a nova Política de Elegibilidade com surpresa e afirmou que a normativa foi elaborada sem consulta ou participação prévia do clube.

Neste momento, o departamento jurídico da agremiação analisa o conteúdo da normativa para avaliar os possíveis desdobramentos e definir os próximos passos.

Tifanny está liberada para disputar o Campeonato Paulista

Apesar da nova regra da CBV, a Federação Paulista de Voleibol (FPV) confirmou que Tifanny Abreu poderá atuar pelo Osasco no Campeonato Paulista. A entidade manteve as regras vigentes no início da competição, antes da entrada em vigor da nova política da CBV.

Pronunciamento de Tifanny

“O voleibol é a minha vida e o meu trabalho. A CBV está tirando tudo o que eu tenho, que é o amor pelo voleibol e a profissão que eu venho exercendo todos esses anos.

Mas isso não afeta só a mim, afeta ao meu clube, a torcida, patrocinadores, as pessoas que se inspiram em mim e ainda direito de todas as pessoas Trans.

É um enorme retrocesso na luta pelo reconhecimento e pela inclusão. Voltamos para a forma vexatória como se testavam as atletas nos anos 60/70.

Não vou me calar e vou tomar todas as medidas possíveis para que a minha luta pelo direito à visibilidade, a inclusão e a prática do esporte não tenha sido em vão”.

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