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Uefa, AFC e Concacaf rompem com Infantino e levam disputa pelo comando da Fifa a novo patamar

A crise política envolvendo a presidência da Fifa ganhou uma nova dimensão com a atuação conjunta de três das seis confederações continentais

Foto: AP Photo/Chris Carlson

10 de agosto de 2026

6 minutos de Leitura

⚡ Jogo Rápido
  • Uefa, AFC e Concacaf formaram uma frente conjunta pela renúncia de Gianni Infantino após a crise envolvendo o projeto Football Forward Enterprise (FFE).
  • As entidades contestam a atuação do presidente e a resposta dada pela Fifa ao episódio, além de cobrarem uma investigação independente sobre o caso.
  • A disputa já alcança o calendário esportivo, com discussões preliminares sobre competições alternativas, enquanto Conmebol e CAF mantêm apoio à atual gestão.

Dirigentes das três confederações atribuem a ruptura ao episódio envolvendo a Football Forward Enterprise (FFE), projeto que previa a negociação de 21% dos direitos comerciais do futebol com investidores privados ligados ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

A pressão sobre Infantino também recebeu apoio de Lise Klaveness, presidente da Federação Norueguesa de Futebol, e Javier Tebas, presidente da LaLiga, enquanto Conmebol e CAF permanecem ao lado do dirigente.

A crise política envolvendo a presidência da Fifa ganhou uma nova dimensão com a atuação conjunta de três das seis confederações continentais. Uefa, AFC e Concacaf passaram a pedir formalmente a renúncia imediata de Gianni Infantino.

A posição foi apresentada em carta aberta assinada por Aleksander Ceferin, presidente da Uefa, xeque Salman bin Ibrahim Al Khalifa, presidente da AFC, e Victor Montagliani, presidente da Concacaf.

No documento, os dirigentes afirmam que a relação de confiança com o presidente da Fifa foi rompida e questionam a maneira como a entidade conduziu o projeto Football Forward Enterprise.

A FFE previa a criação de uma estrutura responsável por ativos comerciais do futebol e incluía a possibilidade de venda de 21% dos direitos a investidores ligados ao presidente norte-americano Donald Trump.

Para as três confederações, o problema ultrapassa a condução administrativa da proposta. Os dirigentes sustentam que houve uma falha de julgamento na própria tentativa de abrir participação sobre ativos comerciais vinculados à Copa do Mundo.

“Liderança no futebol não é uma posse. Não se trata de deter – ou exigir – poder. É um dever de serviço à família do futebol que o confia”, afirmaram os presidentes na carta.

Na sequência, o documento relaciona diretamente a permanência em uma posição de liderança à confiança das instituições representadas.

“Quando a confiança é quebrada por meio do engano, quando um indivíduo se coloca acima do coletivo que lhe confiou autoridade, esse dever foi abandonado”, acrescentaram.

Resposta da Fifa é contestada

Outro ponto de conflito está na forma como a Fifa tratou internamente o episódio. A interpretação de que os problemas envolvendo a FFE decorreram de uma falha de comunicação foi rejeitada pelas três confederações.

Para Uefa, AFC e Concacaf, o caso precisa ser analisado sob a perspectiva das decisões tomadas durante o processo, e não somente pela maneira como a proposta foi apresentada às entidades do futebol.

“[A Fifa] trata isso como uma falha de comunicação, quando o que o futebol testemunhou foi uma falha de julgamento”, diz outro trecho da carta.

As confederações também solicitaram que qualquer investigação sobre o episódio seja conduzida por uma parte independente e sem vínculos com os envolvidos.

Ao mesmo tempo, a aliança afirmou que o conflito institucional não deverá interromper os repasses financeiros destinados às associações nacionais. Os dirigentes também defenderam a manutenção das decisões de calendário e expansão de competições que já tenham sido aprovadas coletivamente.

O movimento pode produzir consequências além da disputa política pela presidência da Fifa. As três confederações iniciaram conversas preliminares sobre a possibilidade de organizar novas competições caso seja mantido o boicote institucional aos torneios promovidos pela entidade internacional.

Entre os eventos potencialmente afetados está a Copa do Mundo Feminina Sub-20, prevista para setembro, na Polônia.

A discussão representa uma nova etapa da crise ao levar o impasse entre dirigentes para o calendário esportivo. Uefa, AFC e Concacaf representam conjuntamente uma parcela relevante das seleções, mercados e receitas do futebol internacional.

Pressão recebe novos apoios

O pedido pela saída de Infantino também passou a contar com manifestações individuais de dirigentes do futebol europeu.

Lise Klaveness, presidente da Federação Norueguesa de Futebol, defendeu publicamente a renúncia e afirmou que o dirigente já não reúne as condições institucionais necessárias para permanecer à frente da entidade.

“Ele não tem a confiança institucional necessária para governar a Fifa de forma estável nos tempos em que vivemos. Não há volta para Gianni Infantino”, afirmou.

Javier Tebas, presidente da LaLiga e crítico recorrente das políticas da Fifa, também se posicionou favoravelmente à saída.

Em entrevista ao jornal francês Le Monde, Tebas afirmou que suas divergências com a gestão de Infantino antecedem a crise atual e estão relacionadas, entre outros aspectos, aos impactos das decisões da Fifa sobre as competições nacionais.

“Para mim, o tempo de Gianni Infantino já passou há muito tempo. Não digo isso por causa dos acontecimentos recentes; venho observando esse estilo de gestão há muito tempo, embora pareça que todos só estejam se dando conta disso agora”, declarou.

Fifa reage às acusações

A Fifa, por sua vez, rejeitou as críticas e classificou os movimentos contra Infantino como parte de uma tentativa de enfraquecer a instituição e sua atual administração.

Em manifestações oficiais, a entidade afirmou que algumas das acusações divulgadas recentemente não possuem fundamento e disse que continuará respondendo a informações que considere incorretas ou enganosas.

“A Fifa acolhe com satisfação o escrutínio legítimo. Mas o escrutínio não é uma licença para distorcer os fatos, amplificar acusações sem fundamento ou criar distrações destinadas a minar o progresso. Quando as notícias forem imprecisas ou enganosas, a Fifa irá contestá-las direta e vigorosamente”, declarou.

A entidade também sustenta que as mudanças promovidas durante a atual administração podem contrariar interesses estabelecidos, mas defende a regularidade de seus procedimentos.

A articulação de Uefa, AFC e Concacaf evidencia a divisão entre as principais forças políticas do futebol mundial.

Do outro lado, Conmebol e CAF mantiveram apoio formal à permanência de Infantino. Com isso, cinco das seis confederações continentais já aparecem posicionadas em campos distintos diante da crise.

O confronto ocorre ainda às vésperas de um período importante para a política da entidade. A próxima eleição presidencial da Fifa está prevista para março de 2027.

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