- A tensão entre a UEFA e a FIFA aumentou após a entidade europeia informar que avalia adotar medidas legais em razão do projeto do presidente Gianni Infantino
- A iniciativa provocou desgaste político do dirigente suíço, que pode perder o apoio da Federação Inglesa de Futebol (FA) para uma eventual candidatura à reeleição
- A UEFA encaminhou nota a Infantino comunicando que analisa a possibilidade de recorrer à Justiça e apresentar reclamações regulatórias relacionadas à criação do plano
A tensão entre a UEFA e a FIFA aumentou após a entidade europeia informar que avalia adotar medidas legais em razão do projeto do presidente Gianni Infantino de abrir parte dos direitos comerciais de suas principais competições para investidores privados.
A iniciativa, posteriormente retirada pela própria FIFA, também provocou desgaste político de Infantino, que pode perder o apoio da Federação Inglesa de Futebol (FA) para uma eventual candidatura à reeleição.
De acordo com o jornal The Telegraph, a UEFA encaminhou uma notificação ao dirigente suíço comunicando que analisa a possibilidade de recorrer à Justiça, instaurar procedimentos arbitrais e apresentar reclamações regulatórias relacionadas à criação da FIFA Forward Enterprise (FFE).
A subsidiária seria responsável pela gestão comercial de torneios como a Copa do Mundo e teria autorização para receber investimentos privados.
Na mesma nota, a UEFA determinou que a FIFA preserve toda a documentação referente ao projeto. A solicitação inclui e-mails, mensagens enviadas por plataformas como WhatsApp, Signal, Microsoft Teams e Slack, além de mensagens de texto, atas de reuniões e quaisquer registros envolvendo dirigentes da entidade, confederações, federações nacionais, patrocinadores, emissoras de televisão e instituições financeiras.
A organização europeia também pediu que a preservação do material ocorra independentemente das políticas internas de retenção de documentos e estabeleceu um prazo de cinco dias úteis para que Infantino confirme a adoção de medidas destinadas a impedir a exclusão de qualquer arquivo relacionado ao caso.
O plano previa a criação da FIFA Forward Enterprise para administrar os ativos comerciais das principais competições da entidade. A proposta incluía a venda de uma participação minoritária, estimada em cerca de 20%, para investidores privados, em uma operação que poderia arrecadar aproximadamente US$ 4,2 bilhões (cerca de R$ 22,8 bilhões).
A iniciativa foi retirada na última sexta-feira após enfrentar resistência de confederações continentais e federações nacionais. Antes disso, Infantino havia enviado uma carta às 211 associações filiadas prometendo um repasse de US$ 40 milhões para cada uma em caso de aprovação do projeto. O plano previa o pagamento inicial de US$ 20 milhões, condicionado ao apoio formal das federações até 19 de setembro.
O grupo de investidores interessado na operação era liderado pela Thrive Eternal, empresa americana de capital de risco fundada por Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner, genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.





