O credenciamento para trabalhar no US Open deixou de ser um espaço restrito aos formatos tradicionais de cobertura. Em 2026, a USTA aprovou a participação de aproximadamente 100 criadores de conteúdo no Grand Slam de Nova York, praticamente o dobro dos 54 profissionais que inauguraram o programa específico para creators no ano passado.
O crescimento mostra uma mudança na forma como a organização pensa a distribuição de conteúdo sobre o evento. A estratégia parte do entendimento de que jornalistas, veículos, creators e plataformas conseguem alcançar públicos diferentes e abordar o torneio por perspectivas igualmente distintas.
Jeanmarie Daly, diretora de operações de mídia da USTA, explicou que a entidade vinha discutindo havia algum tempo a criação desse modelo. A primeira experiência, realizada em 2025, levou a organização a ampliar a iniciativa já em sua segunda temporada.
Essa expansão não significa credenciar apenas perfis especializados em tênis. A seleção contempla profissionais ligados a moda, saúde, gastronomia, lifestyle e outras áreas próximas ao universo do evento. Parte deles retorna após participar da edição anterior, enquanto novos nomes foram incorporados justamente a partir desses segmentos adjacentes.
A escolha acompanha a própria transformação do US Open em uma propriedade que gera conteúdo muito além das partidas. Restaurantes, produtos, moda, celebridades, entretenimento e a relação do torneio com Nova York passaram a integrar a experiência oferecida ao público e, consequentemente, o material produzido nas plataformas sociais.
Em 2025, os conteúdos independentes publicados pelos creators credenciados geraram mais de 5,5 milhões de interações. Para a USTA, o resultado ajudou a validar um modelo no qual diferentes comunidades digitais ampliam a circulação do US Open para além do público que já acompanha tênis regularmente.
Veículos tradicionais também ganham espaço específico para o social
A experiência levou a USTA a fazer outro ajuste em 2026. Equipes de redes sociais pertencentes a veículos tradicionais agora contam com uma categoria própria de credenciamento, permitindo que profissionais responsáveis por Instagram, TikTok, YouTube e outras plataformas trabalhem ao lado das equipes jornalísticas, mas com foco na produção social-first.
Podcasts também entraram formalmente nessa estrutura. O “Served”, comandado pelo ex-número 1 do mundo Andy Roddick, está entre os programas autorizados a produzir diretamente de Flushing Meadows durante a Fan Week.
O movimento cria diferentes camadas de produção dentro de um mesmo evento. Há a cobertura jornalística convencional, as equipes digitais desses veículos, os creators independentes e outro grupo contratado diretamente pela organização.
Nesse último caso, entre 15 e 20 criadores trabalham na produção de materiais destinados especificamente aos canais oficiais do US Open. A operação gera milhares de conteúdos durante as três semanas do evento e ganhou escala conforme os próprios números sociais do torneio avançaram.
Há alguns anos, as plataformas oficiais registravam aproximadamente 1 bilhão de interações ao longo do US Open. O volume chegou a 2,3 bilhões posteriormente e atingiu o recorde de 3,1 bilhões em 2025, segundo Jonathan Zipper, diretor sênior de mídias sociais da USTA.
YouTube ganha espaço na estratégia de 2026
Dentro dessa estrutura, o YouTube recebeu atenção especial nesta edição. Uma das principais iniciativas é “Rally the Boroughs”, série de cinco episódios que transforma os cinco distritos de Nova York em parte da narrativa do US Open.
A produção acompanha três duplas de fãs cumprindo desafios e procurando pistas em diferentes pontos da cidade. O prêmio inclui ingressos para as finais de simples do torneio. Os episódios começaram a ser publicados em 15 de agosto e seguem até 12 de setembro.
A estratégia dialoga diretamente com o posicionamento adotado pelo US Open para 2026, “Celebrating Our New York Story”. A intenção é utilizar a relação histórica do Grand Slam com a cidade para produzir conteúdos e experiências que extrapolem o complexo de Flushing Meadows.
Esse movimento também aparece em outras plataformas. A USTA ampliou neste ano sua presença em Fortnite, Roblox, Tennis Clash e outros ambientes digitais, além de lançar uma série animada para crianças no YouTube Kids. Em 2025, as experiências do US Open em Roblox, Tennis Clash e Fortnite alcançaram 20 milhões de jogadores. Parte dessas propriedades passa agora a permanecer ativa durante todo o ano, e não somente durante o Grand Slam.
Audiência digital acompanha crescimento do evento
A ampliação do investimento em conteúdo acontece enquanto o próprio US Open cresce como negócio e experiência presencial. Em 2025, 1.144.562 pessoas passaram pelo torneio ao longo das três semanas, aproximadamente 9% acima do recorde estabelecido no ano anterior.
A USTA também está realizando um investimento de US$ 800 milhões na modernização do Arthur Ashe Stadium e na construção de um novo Player Performance Center. O projeto será concluído para a edição de 2027 e representa o maior investimento individual realizado na história do US Open. Segundo a entidade, o torneio movimenta mais de US$ 1,2 bilhão por ano para a economia de Nova York.
Em 2026, o evento também alcançou US$ 108 milhões em remuneração total aos atletas, aumento de 20% sobre os US$ 90 milhões distribuídos em 2025. Os campeões de simples receberão US$ 5,5 milhões cada.






