- Clubes articulam paralisação do Brasileirão após MP que proibiu bets no Brasil
- Dirigentes defendem período de transição para encerramento dos contratos com empresas de apostas
- Clubes brasileiros articulam participação em ação que tramita no Supremo Tribunal Federal
O Campeonato Brasileiro pode ser paralisado como forma de reação dos clubes à Medida Provisória que proibiu as bets no Brasil. A possibilidade passou a ser discutida na noite de segunda-feira (28), durante a articulação dos dirigentes para boicotar uma reunião com o Governo Federal marcada para terça-feira (29), que foi cancelada após diversos presidentes informarem que não participariam. A informação foi publicada por Marcel Rizzo, do Estadão.
A paralisação é tratada pelos times de futebol como uma forma de ampliar a pressão por mudanças nas condições estabelecidas pela MP. Uma das reivindicações é que o Governo ofereça alternativas além da linha de crédito com juros baixos que já vinha sendo negociada antes da publicação da medida. Os dirigentes defendem ainda um período de transição entre seis meses e um ano para que os contratos de publicidade e patrocínio com empresas de apostas sejam encerrados.
A CBF está no centro do segundo ponto da articulação, já que os clubes querem que a entidade também participe das conversas com o Governo. Uma eventual interrupção do Brasileirão teria impacto direto sobre o calendário nacional, que já conta com um calendário apertada até o fim do ano, o que aumenta a pressão para que a discussão avance.
Segundo o Estadão, o Sindicato Nacional das Associações de Futebol Profissional (Sinafut), entidade que reúne clubes e federações e tem influência da CBF, pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) para participar do processo que questiona a MP. O tema afeta diretamente o mercado esportivo nacional, já que o Campeonato Brasileiro é atualmente denominado Brasileirão Betano, em acordo de naming rights com a casa de apostas.
Clubes articulam ação conjunta no STF
Além da mobilização em torno do campeonato, os clubes também articulam a atuação conjunta no STF para questionar a Medida Provisória. A intenção é participar do processo movido pela Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e pelo Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), seguindo a iniciativa do Sinafut. O pedido será pela suspensão da MP.
Segundo Diogo Dantas, do O Globo, as equipes chegaram a avaliar a possibilidade de apresentar ações individuais, mas passaram a considerar uma atuação conjunta. A estratégia busca levar ao processo uma posição comum para defender os contratos firmados pelo setor, em vez de tratar cada acordo de forma isolada.
O jornalista do O Globo informou que até os clubes considerados mais próximos do Palácio do Planalto aderiram ao boicote à reunião com o Governo, como por exemplo o Corinthians.
O time paulista lidera, ao lado do Internacional, as negociações com o Governo Federal para a criação de uma linha de crédito com juros baixos, por meio do BNDES, destinada a clubes das Séries A e B. Paralelamente, o Alvinegro ainda formalizou uma proposta à Caixa Econômica Federal para quitar integralmente a dívida da Neo Química Arena, atualmente estimada em cerca de R$ 630 milhões. A estratégia prevê a transferência dos naming rights do estádio para a própria Caixa.





