- A Copa do Mundo Feminina de 2027 coloca o futebol feminino diante de uma oportunidade que vai além da visibilidade proporcionada pelo torneio
- O principal desafio estará em transformar o interesse gerado pela competição em um mercado sustentável no longo prazo, com estruturas capazes de manter o crescimento após o encerramento do torneio
- Em entrevista exclusiva ao MKTEsportivo, Rafaela Esteves, gestora do futebol feminino do Mirassol, apontou a necessidade de uma mudança na forma como os clubes tratam a modalidade
A Copa do Mundo Feminina de 2027 coloca o futebol feminino diante de uma oportunidade que vai além da visibilidade proporcionada pelo torneio.
Com o Mundial em território nacional, clubes e marcas terão uma vitrine para ampliar a presença na modalidade. O principal desafio, porém, será transformar o interesse gerado pela competição em um mercado sustentável no longo prazo, com estruturas capazes de manter o crescimento após o encerramento do torneio.
Em entrevista exclusiva ao MKTEsportivo, Rafaela Esteves, gestora do futebol feminino do Mirassol, apontou a necessidade de uma mudança na forma como os clubes tratam a modalidade para uma evolução significativa do produto.
“A Copa do Mundo de 2027 será um grande catalisador. Mas eu acredito que o principal desafio será transformar a exposição gerada pelo Mundial em negócios sustentáveis depois da competição. Para isso, os clubes precisam enxergar o futebol feminino como um produto esportivo com potencial comercial, e não apenas como um projeto institucional”, afirmou Rafaela.
Além de ampliar a exposição da modalidade, a realização da Copa do Mundo pode aproximar clubes de novos públicos e criar oportunidades comerciais.
Para que esse movimento não se encerre com a competição, no entanto, será necessário transformar o interesse pontual em hábito de consumo ao longo da temporada.
“Não basta colocar o jogo no estádio. Precisamos transformar a partida em uma experiência e aproximar o clube da comunidade, das famílias e das meninas que estão começando no futebol. O grande desafio é criar o hábito de consumo: fazer com que o torcedor queira estar presente durante toda a temporada, e não apenas em grandes jogos”, destacou.
Para construir esse mercado de forma sustentável, o futebol feminino brasileiro também pode buscar referências em experiências desenvolvidas em outros mercados.
Ligas e clubes estrangeiros apresentam diferentes modelos de distribuição e relacionamento com o público, que podem servir como referência para o desenvolvimento das competições nacionais.
“O Brasil tem potencial para internacionalizar o futebol feminino, mas primeiro precisamos fortalecer o produto dentro do país, com mais público, audiência, engajamento, patrocínios e receita. A internacionalização deve ser consequência de uma competição nacional forte. A Copa de 2027 pode abrir essa janela, mas o crescimento sustentável dependerá de investimento em estrutura, formação, calendário, gestão e experiência do torcedor”, completou Rafaela.
Com uma competição nacional mais estruturada e capaz de gerar público, audiência e receitas, o futebol feminino brasileiro também poderá ampliar seu alcance para além das fronteiras.
A tradição na formação de atletas, a relevância das competições e o potencial de geração de histórias e ativos ligados à modalidade criam espaço para uma estratégia de expansão que envolva diferentes mercados e formatos.
“Temos três grandes oportunidades: fortalecer a distribuição digital e o conteúdo, transformar os jogos em experiências de entretenimento e profissionalizar a estratégia comercial. Além disso, o intercâmbio internacional pode acelerar a troca de conhecimento e posicionar o Brasil não apenas como consumidor, mas como um dos grandes produtores de conteúdo, talentos e negócios do futebol feminino”, finalizou.





