- Lula promete medida mais drástica em relação ao mercado de bets no Brasil
- Presidente foi cobrado sobre as possíveis consequências em termos de vício e dependência
- Famílias brasileiras teriam perdido R$ 62,5 bilhões para as apostas em 2025
O mercado de bets é alvo de novas discussões no Brasil, especialmente pelos impactos associados ao consumo de apostas. Nesse cenário, Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que pretende reunir sua equipe ainda nesta semana para avaliar a adoção de uma medida mais drástica em relação ao setor. A declaração ocorreu durante um encontro realizado nesta terça-feira (2), que reuniu representantes de diferentes segmentos da economia e de instituições religiosas.
Durante a reunião, Lula recebeu manifestações sobre os efeitos das plataformas de apostas entre as famílias brasileiras. Entre os pontos apresentados estiveram as preocupações relacionadas ao aumento de casos de vício e dependência associados às apostas.
Diante das diferentes posições apresentadas, o presidente defendeu que a discussão também envolva a sociedade de maneira mais ampla antes da definição de novas medidas. Em sua avaliação pessoal, Lula classificou as bets como um mal para a sociedade e afirmou que acabaria com o setor. Ao tratar da questão na condição de presidente da República, porém, destacou a necessidade de considerar as manifestações dos diferentes segmentos envolvidos antes de uma decisão.
“O governo tem discutido como resolver o problema das bets. Eu sugeri ouvirmos o que a sociedade brasileira pensa sobre as bets antes de tomarmos uma solução definitiva. Depois que terminar essa reunião eu vou ainda esta semana, possivelmente, convocar uma reunião para tomar uma decisão. Acho que temos que tomar uma decisão mais drástica”, declarou o presidente, segundo relatado pela Agência Brasil.
Dados do SUS
Alexandre Padilha, ministro da Saúde e um dos integrantes do encontro, apresentou informações relacionadas aos efeitos do crescimento das apostas sobre o Sistema Único de Saúde (SUS).
Segundo Padilha, o serviço de atendimento e acolhimento oferecido pelo SUS registrava inicialmente cerca de 600 atendimentos por mês. Atualmente, a média chegou a aproximadamente 100 mil atendimentos mensais. O ministro também informou que as mulheres representam 55% das pessoas que procuram esse tipo de auxílio.
Os impactos financeiros das apostas sobre as famílias também entraram na discussão. Dados do governo indicam que os brasileiros destinaram R$ 62,5 bilhões líquidos às bets em 2025. O cálculo considera a diferença entre os valores colocados nas plataformas e aqueles posteriormente pagos em prêmios.
O levantamento consta no Boletim Fiscal dos Estados, elaborado pelo Comitê Nacional dos Secretários de Fazenda (Comsefaz), a partir de estatísticas do Banco Central.
Setor sob novas regras
Com o avanço do debate sobre os efeitos das apostas, as empresas que atuam no segmento também passaram a enfrentar novas exigências relacionadas à comunicação e à publicidade. Regulamentado no Brasil desde 2024, o mercado é submetido a medidas voltadas à conscientização sobre os riscos associados às apostas.
Entre as iniciativas recentes está a atualização do Anexo X pelo Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar), documento que estabelece parâmetros para a publicidade de empresas de apostas esportivas. O Ministério da Fazenda também passou a exigir a inclusão de alertas sobre possíveis prejuízos financeiros nas comunicações publicitárias das bets.
As restrições também chegaram às administrações municipais e estaduais. Em julho, Belo Horizonte e Rio de Janeiro proibiram a publicidade de empresas de apostas de quota fixa em espaços públicos sob administração municipal.
Em agosto, a medida adotada na capital mineira foi ampliada para todo o Estado de Minas Gerais, por meio de decreto que restringiu a publicidade de empresas de apostas esportivas em espaços públicos e equipamentos pertencentes ao governo estadual.
Enquanto o debate sobre os limites para o mercado segue em discussão, associações ligadas ao setor, como a Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), se manifestaram a favor a publicidade de bets.






