- O Ministério do Esporte convocou clubes das Séries A, B, C e D e federações estaduais para uma reunião nesta terça-feira (29), em Brasília.
- O encontro discutirá os impactos da proibição das bets, setor que deve movimentar cerca de R$ 1,1 bilhão em patrocínios com clubes da Série A em 2026.
- Entre as alternativas debatidas está a criação de mecanismos de crédito para auxiliar financeiramente os clubes durante a transição.
O Ministério do Esporte convocou representantes do futebol brasileiro para uma reunião nesta terça-feira (29), às 15h, em Brasília, após a entrada em vigor da Medida Provisória que proibiu a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade das apostas de quota fixa no país. A decisão do governo federal atingiu diretamente uma das principais categorias de patrocinadores do esporte nacional. Serviços e Informações do Brasil
O encontro será realizado no gabinete do ministro do Esporte, Paulo Henrique Cordeiro. A CBF foi acionada para participar e estender o convite aos clubes das Séries A, B, C e D do Campeonato Brasileiro, além das federações estaduais.
A convocação ocorre quatro dias depois da assinatura da MP pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Desde sexta-feira (25), as empresas autorizadas já estão impedidas de receber novas apostas e realizar publicidade. O cronograma estabelece ainda que sites e aplicativos deverão sair do ar a partir de 6 de outubro.
Clubes buscam alternativas para perda de receitas
A presença das casas de apostas no futebol brasileiro cresceu significativamente nos últimos anos, especialmente por meio dos patrocínios de camisa. Na Série A, 13 dos 20 clubes possuem uma empresa do setor ocupando a propriedade máster, com contratos que devem movimentar aproximadamente R$ 1,1 bilhão em 2026.
Embora o valor seja relevante dentro do mercado de patrocínios, a exposição financeira varia entre os clubes. Dados referentes a 2025 mostram que os aportes das empresas de apostas representaram 7,2% das receitas combinadas dos times que disputavam a Série A naquele ano.
O impacto também ultrapassa os contratos individuais. As bets passaram a ocupar propriedades comerciais de competições, transmissões e outros ativos ligados à cadeia econômica do futebol, ampliando a discussão sobre os efeitos do encerramento do setor.
Algumas empresas já notificaram clubes sobre a possibilidade de rescisão dos contratos após a decisão do governo. Com a proibição da publicidade, propriedades de camisa e outros espaços comerciais atualmente ocupados pelas marcas precisarão ser novamente negociados.
Linha de crédito está entre as propostas discutidas
As conversas entre dirigentes e o governo começaram antes da publicação da MP. Em agosto, representantes de clubes das Séries A e B já haviam apresentado ao Ministério do Esporte uma proposta envolvendo uma linha de crédito de até R$ 20 bilhões.
Uma das alternativas discutidas envolve financiamento por meio do BNDES, com condições diferentes das encontradas normalmente no mercado, para auxiliar na reorganização financeira dos clubes e no pagamento de determinadas dívidas. Também existem discussões sobre mecanismos direcionados a investimentos em infraestrutura.





