Indústria

Ministério Público investiga valor da dívida do Corinthians com a Caixa pela Neo Química Arena

Perito aponta possível diferença entre o saldo cobrado e o valor efetivamente devido, com a possibilidade de o clube já ter quitado integralmente o financiamento

Foto: JP Drone

02 de setembro de 2026

4 minutos de Leitura

⚡ Jogo Rápido
  • Ministério Público investiga valor da dívida do Corinthians com a Caixa pela Neo Química Arena
  • Perito aponta possível diferença entre o saldo cobrado e o valor efetivamente devido
  • Procedimento está em fase inicial e terá análise técnica dos cálculos

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) abriu, no começo desta semana, uma apuração para verificar o valor da dívida do Corinthians com a Caixa Econômica Federal referente ao financiamento da Neo Química Arena. O procedimento administrativo considera a possibilidade de que o montante atualmente cobrado do clube seja superior ao que, de fato, seria devido. A informação foi divulgada pela TV Record.

A emissora informou ainda que a diferença pode estar relacionada aos critérios utilizados para a atualização do débito ao longo dos anos. O caso é analisado pelo MP-SP a partir de documentos e informações relacionados ao financiamento do estádio.

O perito Anísio Castelo Branco foi responsável pela denúncia que deu origem ao procedimento. O CEO do Instituto de Perícia Investigativa encaminhou ao Ministério Público um dossiê elaborado a partir de documentos públicos referentes ao contrato firmado para o financiamento da Arena. No material, Castelo Branco identificou possíveis divergências nos cálculos utilizados para atualizar a dívida, com questionamentos envolvendo juros, multas e outros encargos.

O Corinthians contratou, em 2013, R$ 400 milhões em crédito para financiar a construção do estádio. Ao longo dos anos, o débito foi renegociado e teve mudanças nas condições de pagamento. Entre os pontos analisados pelo perito estão os juros aplicados sobre parcelas que permaneceram em atraso.

“Tem que mostrar quanto de juros eles estão cobrando nas parcelas em atraso, porque eu encontrei juros que variam de 19% ao mês a quase, se não me engano, 450% ao mês. Não tem padrão nenhum”, declarou o perito em entrevista à Record.

Possível diferença no saldo da dívida

O procedimento instaurado pelo MP-SP busca verificar como o saldo devedor foi calculado e atualizado desde a contratação do financiamento. De acordo com a análise apresentada por Castelo Branco, os cálculos realizados pela Caixa podem ter resultado em uma cobrança acima do valor que seria efetivamente devido pelo Corinthians.

Segundo o perito, a diferença entre os valores poderia chegar a centenas de milhões de reais. O promotor Cássio Conserino, responsável pela investigação, afirmou que uma das hipóteses avaliadas é a ocorrência de um erro matemático na atualização do débito.

“A Caixa teria errado nos cálculos apresentados ao Corinthians e, consequentemente, dando um valor a mais de R$ 280 milhões, que atualizados em agosto de 2026, chega na beira de uns R$ 455 milhões”, disse.

Andrés Sanchez, então presidente do Corinthians, recebeu em 2020 e-mails enviados pelo perito Anísio Castelo Branco sobre os questionamentos relacionados à dívida. O perito também procurou Alexandre Husni, que presidia o Conselho Deliberativo do clube, mas afirmou à Record que não obteve retorno.

Valores do financiamento

O Corinthians recebeu R$ 400 milhões em financiamento da Caixa em 2013 para a construção da Arena. Segundo o Alvinegro, cerca de R$ 600 milhões já foram pagos, mas o saldo da dívida ainda é de R$ 642 milhões.

Conserino afirma que a confirmação dos cálculos apresentados na perícia poderá alterar significativamente a situação do débito, com a possibilidade de o Corinthians já ter quitado integralmente o financiamento da Neo Química Arena. Essa hipótese, porém, só poderá ser confirmada após a investigação e a análise técnica dos documentos e cálculos questionados.

“Pela perícia encaminhada ao Ministério Público pelo representante, que diga-se de passagem também é perito, aquele documento reflete um pagamento a mais. E, por via de consequência, a Arena já estaria quitada por conta desse pressuposto matemático equivocado ocorrido em 2019”, acrescentou Conserino.

Entre novembro de 2024 e novembro de 2025, uma campanha organizada por torcedores do Corinthians arrecadou cerca de R$ 41 milhões para contribuir com o pagamento da dívida da Neo Química Arena.

A Caixa Econômica Federal informou à Record que não comenta operações de crédito específicas em razão do sigilo bancário. O time paulista, por sua vez, não respondeu aos contatos feitos pela emissora.

A investigação do Ministério Público ainda está em fase inicial e analisa, neste momento, os contratos para verificar a atualização do saldo do financiamento e os cálculos apresentados pelo perito.

Compartilhe
ver modal

Assine a newsletter do MKT