- Palmeiras não planeja usar linha de crédito do Governo para enfrentar impactos do fim das bets
- Situação financeira do clube é considerada suficiente para manter as operações sem o financiamento
- Contrato do Palmeiras com a Sportingbet pode chegar a R$ 170 milhões por temporada
O Governo Federal prepara um programa de crédito voltado aos clubes e às Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs) que enfrentarem dificuldades financeiras com o fim das bets no Brasil. Batizado de Programa Nacional de Reestruturação Financeira do Futebol Profissional, o projeto prevê uma linha de até R$ 20 bilhões, com recursos oferecidos a juros menores por meio de instituições autorizadas e condições baseadas nas taxas do BNDES.
A proposta permite trocar dívidas mais caras por financiamentos de prazo maior, de até 20 anos, com dois anos de carência para o início dos pagamentos. O mecanismo não prevê perdão de débitos e poderá ser usado para compromissos trabalhistas, direitos de imagem, impostos, empréstimos bancários e outras obrigações, além de investimentos nas categorias de base. Salários, contratações e despesas rotineiras do futebol ficam fora da lista de finalidades. Segundo informações do UOL, o Palmeiras não pretende utilizar essa alternativa.
A decisão está relacionada à situação financeira do clube. O Verdão encerrou 2025 com receita de R$ 1,783 bilhão e superávit acumulado de R$ 292,4 milhões. Diante desse cenário, a avaliação interna é de que não há necessidade de buscar uma operação de crédito junto ao programa federal para reorganizar as contas.
Mesmo sem considerar o financiamento como uma necessidade, o time paulista pretende participar das discussões envolvendo o futuro dos contratos de patrocínio com empresas de apostas. O clube deve se juntar a outras equipes na busca por alternativas para preservar o vínculo com a Sportingbet, que ocupa o espaço de patrocinadora máster desde janeiro de 2025.
O contrato estabelece R$ 100 milhões fixos por temporada e pode alcançar R$ 170 milhões anuais com o cumprimento de bônus de até R$ 70 milhões. Considerando a variação prevista no acordo, o valor representa entre 7% e 12% da receita palmeirense.
A preocupação com o patrocínio ocorre porque, apesar de não buscar uma linha de socorro financeiro, o Alviverde considera que a restrição ao setor de apostas pode provocar um efeito relevante nas receitas. Por isso, o departamento jurídico do Palmeiras deverá participar das conversas envolvendo clubes, federações e empresas do segmento para discutir alternativas diante das novas regras.
Nesse cenário, o Verdão também acompanha a tramitação da Medida Provisória no Congresso Nacional. De acordo com o UOL, o entendimento interno do clube é de que o acordo com a Sportingbet permanece válido enquanto não houver uma definição sobre a medida.
A MP passou a vigorar na última sexta-feira (25), mas precisa ser aprovada pelo Congresso em até 120 dias para manter seus efeitos. Durante esse período, o texto pode sofrer alterações, ser rejeitado ou deixar de ser votado dentro do prazo, hipótese que faria a medida perder a validade.
Enquanto a discussão avança em Brasília, os clubes paulistas também começaram a tratar do assunto de forma conjunta. Nesta segunda-feira (28), o Palmeiras participou de uma reunião na sede da Federação Paulista de Futebol que reuniu representantes dos departamentos jurídico e de marketing das equipes paulistas das Séries A e B do Campeonato Brasileiro. O encontro teve como pauta os efeitos da proibição das apostas esportivas no futebol e a possibilidade de adoção de medidas conjuntas.





