- Pedrinho cobra agilidade da Justiça para abertura do leilão da SAF do Vasco
- Presidente do clube afirmou que uma oferta superior à de Marcos Lamacchia será analisada pela instituição
- Pedrinho admite que empréstimo previsto no plano de recuperação judicial é necessário para manter os compromissos
O Vasco tem negociações avançadas para a venda de sua Sociedade Anônima do Futebol (SAF) ao empresário Marcos Faria Lamacchia, filho de José Roberto Lamacchia, proprietário da Crefisa, e de Junia Faria, uma das herdeiras do Banco Alfa. Recentemente, Marcos afirmou que Leila Pereira, atual presidente do Palmeiras e esposa de seu pai, não fará parte da operação. Segundo ele, a dirigente poderá ajudar o Vasco em outro momento, depois de deixar o comando do clube paulista, em dezembro de 2027.
Enquanto as conversas avançam, o presidente do Cruzmaltino, Pedrinho, pediu nesta terça-feira (1º) que a Justiça autorize o início do leilão da SAF. O dirigente voltou a defender a abertura do processo de concorrência e afirmou que a atual administração vem trabalhando na reorganização financeira da agremiação desde que assumiu a gestão.
Nesse contexto, Pedrinho explicou que a eventual apresentação de uma proposta superior à que está atualmente sobre a mesa também será considerada pelo Vasco. De acordo com o presidente, qualquer interessado terá de passar pelas etapas de análise e comprovação de legitimidade previstas no processo.
“Se aparecer um investidor que empate a proposta que já tem na mesa e assim vai ser feito, vai ser um investidor, seja ele qual for, obviamente passando por todo um processo de auditoria, um processo de legitimidade, vendo a legitimidade da empresa, e vai ser feita a venda. Por isso, o leilão. Então, quanto mais rápido o leilão acontecer, melhor para a instituição”, declarou.
Pedido por agilidade
A defesa pela abertura do processo está relacionada também à situação financeira do Vasco. Pedrinho afirmou que a Justiça deve agilizar os procedimentos para permitir a concorrência e ressaltou que a administração vem mantendo os compromissos assumidos pelo clube. Segundo ele, sem a liberação do empréstimo necessário neste momento, alguns pagamentos previstos na recuperação judicial poderão ser afetados.
“Eu peço mais uma vez, encarecidamente, ao Poder Judiciário que abra logo o edital para a concorrência. Se aparecer uma proposta melhor, vai ser o que vai ser melhor para a instituição. Então o que eu peço é que os processos sejam agilizados, porque o clube que eu peguei e o que a gente está entregando é um clube que está honrando todos os seus compromissos. Se o empréstimo não acontecer, eu vou ter que começar a deixar de honrar alguns compromissos que estavam homologados em juízo”, completou.
Ao abordar a necessidade de novos recursos, o presidente explicou que o empréstimo não seria destinado somente ao pagamento de contas e dívidas. A intenção também envolve a possibilidade de contratar jogadores para o elenco. Para explicar a lógica, Pedrinho comparou a situação financeira da SAF à de uma empresa em recuperação judicial.
“A analogia que quero fazer é: um supermercado entrou em recuperação judicial. Ele pega um empréstimo para pagar funcionários, para pagar a recuperação judicial e aí ele não pode pagar para comprar produtos? Carne, feijão, batata, arroz? Os meus produtos são os jogadores. Ele compra produtos mais baratos, vende mais caro e gera receita. Eu sou o gestor de uma empresa de futebol, o meu produto é um atleta. Eu não sou irresponsável por comprar um atleta, eu sou irresponsável se não pago a RJ”, completou.
Pedrinho revelou que encontrou uma série de pendências financeiras quando assumiu a SAF e que a gestão passou a organizar os pagamentos desde então. Segundo o dirigente, os compromissos assumidos pelo clube não sofreram atrasos durante sua administração, incluindo salários, e esse histórico deve ser considerado pela Justiça na análise dos pedidos relacionados à recuperação judicial.
O presidente ainda ressaltou que o plano de recuperação judicial foi aprovado por 97,7% dos credores e posteriormente homologado pelo Judiciário. Para Pedrinho, os empréstimos previstos no planejamento fazem parte da estratégia financeira aprovada e, portanto, não representam falta de organização das contas do clube.
“ Depois de uma aprovação dos credores de 97,7%, quase 100% de aprovação dos credores, foi homologado o plano de recuperação judicial em juízo. Então todos os empréstimos estão dentro do plano. Eu não tiro o empréstimo da minha cabeça, e se eu já repeti… estou falando isso novamente. Por quê? Porque os empréstimos fazem parte do plano da recuperação judicial, e muitas pessoas falam: “Não, o Vasco está desorganizado porque está pegando empréstimo toda hora”. Não, ao contrário, nós estamos organizados e isso faz parte da organização financeira”, concluiu o mandatário.





