- Starman Optical assume controle da GoPro em acordo de US$ 285 milhões.
- Nova gestão promete focar em inteligência artificial e tecnologia militar.
- Operação elimina dívida de US$ 92 milhões da companhia.
A Starman Optical acertou a compra da GoPro por US$ 285 milhões. Anunciado nesta terça-feira (1), o acordo ocorre em um momento de dificuldades financeiras para a empresa e representa uma mudança na estratégia da companhia. O valor da operação será utilizado para eliminar integralmente a dívida pendente de US$ 92 milhões.
Pelos termos anunciados, cada acionista da GoPro receberá US$ 1,14 por ação em dinheiro e ficará com aproximadamente 10% da companhia resultante da combinação entre os negócios, além permanecer listada na bolsa. A conclusão da operação é esperada até o fim deste ano.
Após a transação, a GoPro continuará com suas atividades voltadas ao consumidor final. Para os usuários dos produtos atuais, a empresa afirma que manterá o suporte aos equipamentos existentes, enquanto o novo plano prevê investimentos no desenvolvimento de um catálogo mais amplo e diversificado.
Starman busca avançar em novos mercados
A Starman Optical pretende utilizar a estrutura e a propriedade intelectual da GoPro para ampliar sua presença em diferentes mercados. Segundo comunicado em conjunto das empresas, o acordo permitirá explorar as mais de 2.500 patentes registradas pela GoPro nos Estados Unidos, incluindo tecnologias relacionadas a imagem e soluções ópticas.
A estratégia contempla aplicações comerciais, de consumo e de defesa nacional, além do desenvolvimento de soluções avançadas de imagem e infraestrutura de inteligência artificial voltadas à segurança. A Starman faz parte da Starman Holdings, grupo que também administra marcas de consumo como Incase, Incipio e Griffin.
As ações da GoPro reagiram positivamente ao anúncio e chegaram a subir mais de 50%, alcançando US$ 1,33 durante as negociações. O preço ficou acima dos US$ 1,14 previstos na oferta, enquanto o valor acordado representa um prêmio de aproximadamente 29,5% sobre o fechamento anterior.
Depois de atingir uma valorização de aproximadamente US$ 4 bilhões em seu primeiro dia de negociação em 2014, a GoPro passou por uma forte perda de valor de mercado ao longo da década seguinte. As ações acumulam queda próxima de 96% desde então, em um período marcado pelo avanço de concorrentes chinesas, como DJI e Insta360, e por tentativas da companhia de ampliar sua atuação para outras categorias.
Queda nas vendas e concorrência pressionaram resultados da GoPro
Projetos envolvendo drones e câmeras 360 não tiveram o desempenho esperado, contribuindo para prejuízos e sucessivas rodadas de demissões. A receita registrada no trimestre encerrado em junho também ficou mais de 80% abaixo do pico de US$ 633,9 milhões alcançado nos últimos três meses de 2014.
A pressão financeira aumentou com a elevação dos preços dos chips de memória, movimento relacionado à expansão da infraestrutura de inteligência artificial das grandes empresas de tecnologia. Em junho, a GoPro alertou sobre o risco de não conseguir manter suas operações sem novos recursos. No mês seguinte, o fundador e CEO Nick Woodman aportou US$ 20 milhões, cerca de R$ 102,8 milhões, de recursos próprios para ajudar a manter as operações.
A aquisição encerra um período de aproximadamente uma década marcado por tentativas de diversificação, redução de custos e dificuldades financeiras. Com a dívida de US$ 92 milhões eliminada pela operação, a companhia passa a ter uma nova configuração societária e financeira.






