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Copa do Mundo Feminina acelera disputa da mídia por audiência e marcas no Brasil

Emissoras e plataformas ampliam programação dedicada ao futebol feminino e começam a construir produtos comerciais para além das transmissões

Copa do Mundo Feminina acelera disputa da mídia por audiência e marcas no Brasil

02 de outubro de 2026

7 minutos de Leitura

A aproximação da Copa do Mundo Feminina de 2027 começa a alterar de forma mais clara a estratégia da mídia esportiva brasileira. Com o torneio marcado para 24 de junho a 25 de julho, emissoras, canais digitais e grupos de conteúdo ampliaram a presença da modalidade em suas grades, enquanto marcas passam a encontrar novas propriedades para ocupar antes mesmo do início do Mundial.

O Brasil receberá 32 seleções e 64 partidas distribuídas por oito cidades. O Maracanã será palco da abertura, com a Seleção Brasileira, e também da final. São Paulo, Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, Porto Alegre, Recife e Salvador completam a lista de sedes.

A movimentação da mídia acontece, portanto, antes da principal janela de exposição da modalidade no país. Programas semanais, pré-jogos, canais especializados e projetos digitais começam a formar uma oferta de conteúdo que amplia os espaços comerciais disponíveis para marcas interessadas no futebol feminino.

Globo e CazéTV terão os direitos do Mundial

A Copa de 2027 terá dois grandes grupos responsáveis pelas transmissões no mercado brasileiro. Globo e LiveMode, responsável pela CazéTV, adquiriram os direitos do torneio.

No Grupo Globo, o sportv exibirá as 64 partidas, enquanto a TV Globo poderá transmitir até 56 jogos. O Globoplay reunirá as transmissões dos canais do grupo e a Ge TV também estará inserida na cobertura gratuita digital. A empresa já prepara conteúdos especiais para o período anterior à competição e prevê um programa diário durante o Mundial.

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Fotos: Luciana Vermell/CBF

A dimensão comercial também começa a aparecer nos números utilizados pela Globo para apresentar o produto ao mercado publicitário. Segundo a companhia, mais de 50 milhões de pessoas acompanharam futebol feminino em suas plataformas em 2025. Na Copa de 2023, somente o sportv impactou mais de 8 milhões de pessoas diferentes.

Fora do Brasil, a entrada de novas plataformas reforça o valor crescente dos direitos da competição. A Netflix adquiriu a transmissão das Copas do Mundo Femininas de 2027 e 2031 nos Estados Unidos e posteriormente ampliou o acordo para o Canadá.

Programas dedicados ganham espaço

A construção de uma programação regular dedicada à modalidade começou antes da confirmação do Brasil como sede. Em 2022, a ESPN lançou o “Mina de Passe”, que permanece em sua programação com debates, entrevistas e cobertura de competições nacionais e internacionais.

Em 2026, novos produtos passaram a ocupar esse espaço. O Grupo Globo estreou o “Aquecimento Delas”, exibido no sportv e na Ge TV como parte da cobertura de partidas do futebol feminino.

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A N Sports lançou em setembro o “Joga Com Elas”, apresentado por Andressa Borzilo e Giselly Corrêa. Com 30 minutos de duração e periodicidade semanal, o programa reúne notícias, análise das rodadas e repercussão das competições exibidas pelo canal. A atração integra uma estratégia que também envolve transmissões do Brasileirão, Copa do Brasil e Libertadores Feminina.

N Sports estreia “Joga Com Elas”, programa dedicado ao debate do futebol feminino
Andressa Borzilo e Giselly Corrêa

No ambiente digital, o Passa a Bola também ampliou sua estrutura. Criado por Alê Xavier e Luana Maluf, o projeto passou a integrar o Grupo Podpah em 2026 e se posiciona para aumentar a produção relacionada à modalidade no ciclo da Copa. O “De Letra”, programa semanal sobre futebol feminino apresentado pela jornalista Denise Thomaz Bastos ao lado de Bi Goes, Amanda Porfírio e Roberta Nina, é fruto desta nova fase.

Marcas antecipam o ciclo de 2027

O movimento não está restrito às empresas de mídia. A realização da Copa no Brasil ampliou o horizonte para marcas que já atuavam no futebol feminino e também para companhias interessadas em entrar nesse território antes do torneio.

A Coca-Cola, patrocinadora da Copa do Mundo masculina desde 1978 e presente no Mundial feminino desde sua primeira edição, em 1991, já iniciou a transição de suas ações de 2026 para o torneio do próximo ano. Após afirmar ter impactado mais de 140 milhões de brasileiros durante a Copa masculina, a companhia passou a direcionar sua comunicação para 2027.

A Dove também utiliza o ciclo dos Mundiais para desenvolver um programa voltado à permanência de meninas no esporte. A estratégia começou durante a Copa masculina e foi apresentada pela empresa como uma preparação para 2027, conectando a presença da marca no esporte a uma iniciativa de longo prazo.

Amazon, Hyundai e Uber, por sua vez, aparecem na expansão do Passa a Bola, enquanto os pacotes comerciais das próprias transmissões abrem outra frente de investimento para anunciantes.

O potencial comercial também aparece na relação entre público e patrocinadores. Segundo dados apresentados pela Globo ao mercado, 69% dos fãs consultados afirmam que a imagem de uma marca melhora quando ela patrocina o futebol feminino, enquanto quem acompanha a modalidade é 25% mais propenso a escolher produtos dos patrocinadores. Outros 85% defendem que as empresas deveriam ampliar seus investimentos no futebol feminino.

O resultado é um mercado que começa a ser construído em diferentes camadas: direitos de mídia, programas especializados, canais digitais, patrocínios de conteúdo, campanhas de marca e projetos relacionados ao desenvolvimento da modalidade.

Audiência amplia espaço comercial

Esse mercado também está sendo sustentado por uma expansão do calendário disponível para mídia e patrocinadores. Entre 2021 e 2026, o número de competições femininas organizadas pela CBF passou de seis para nove, enquanto a quantidade de partidas aumentou 79%, de 398 para 712.

No mesmo intervalo, o número de clubes envolvidos nas competições adultas e de base avançou de 58 para 79. Para o ciclo entre 2024 e 2029, a entidade projeta mais de R$ 685 milhões em investimentos nas competições femininas.

A ampliação da oferta acompanha uma evolução da audiência das competições nacionais. Em 2026, partidas do Brasileirão Feminino passaram a produzir resultados relevantes tanto na televisão aberta quanto nas plataformas digitais.

A N Sports, por exemplo, registrou 867 mil visualizações no YouTube na semifinal entre Corinthians e Bahia, com pico superior a 91 mil conexões simultâneas. A partida superou o recorde anterior do canal no torneio, registrado na classificação do Bahia diante do Palmeiras.

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A primeira partida da final entre Corinthians e São Paulo levou 21.828 torcedores à Neo Química Arena. Na Grande São Paulo, a Globo registrou 11 pontos de audiência e 26% de participação entre os televisores ligados, seu melhor resultado com o Brasileirão Feminino em dois anos.

Os resultados ajudam a explicar por que o mercado começa a desenvolver produtos antes da Copa. O Mundial oferece uma concentração excepcional de audiência, mas as competições nacionais permitem que mídia e patrocinadores construam presença durante uma temporada inteira.

A disputa passa pela continuidade

O principal teste comercial acontecerá depois de 25 de julho de 2027. A Copa cria uma janela incomum para o futebol feminino no Brasil, com partidas em território nacional, ampla distribuição na televisão e no digital e maior presença de patrocinadores. Para os grupos que estão ampliando seus investimentos agora, a oportunidade está em transformar essa exposição em produtos capazes de continuar relevantes fora do calendário do Mundial.

A existência de programas regulares como “Mina de Passe”, “De Letra”, “Aquecimento Delas” e “Joga Com Elas”, além do crescimento de projetos digitais como o Passa a Bola, indica uma tentativa de construir esse consumo antes da Copa.

A resposta sobre a sustentabilidade desse mercado virá quando a principal competição do futebol feminino deixar de ocupar diariamente a programação.

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