Coluna

Gestão de crise no esporte

13 maio, 2020
Fábio Wolff

Sócio-diretor da Wolff Sports e professor no MBA de Gestão e Marketing Esportivo da Trevisan Escola de Negócios

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Por diversas vezes escutava e lia em alguns veículos a expressão “gestão de crise”, até que enfrentei uma há alguns anos.

Hoje me recordo das noites mal dormidas, dos momentos de reflexão para observar os erros, os acertos, enfim, as lições que poderia tirar daquela situação.

Preciso confessar que, ao ter de enfrentar aquela crise, a agência não estava tão bem estruturada administrativa e juridicamente falando, ou seja, acabei concentrando em mim boa parte das decisões que deveria tomar (tudo para ontem, diga-se de passagem), a fim de colocar o vagão nos trilhos novamente.

Por um momento achei que não teria saúde para lidar com tantos desafios ao mesmo tempo, pois as decisões a serem tomadas eram difíceis e reinavam mais dúvidas do que certezas.

Quando a situação foi se acalmando, busquei auxílio no sentido de entender como estruturar melhor a nossa agência. Escutei muito, falei pouco, aprendi a lidar com situações de risco, abri o horizonte, cresci, me enriqueci.

Com a contratação e a ajuda de profissionais nos âmbitos administrativo e jurídico, entendi melhor a importância da palavra “compliance” e a sua implementação na cultura da empresa.

Aos poucos fomos estruturando melhor as funções dos colaboradores da agência, dos processos administrativos, contábeis, financeiros e jurídicos.

À medida que o tempo foi passando e que a engrenagem ia se encaixando, passamos a atentar mais para os detalhes, aperfeiçoando os processos.

E, alguns poucos anos depois, apareceu o surreal, o inimaginável, algo que só poderia ocorrer em filmes de ficção (diga-se de passagem, não curto muito os filmes de ficção): um vírus originado do outro lado do mundo e que se alastrou pelo mundo inteiro e também por aqui, impactando por completo a vida de todos, a economia e, claro, a nossa indústria do esporte.

Foram dias de estresse, de muitas ligações de clientes e parceiros, enfim, todos e cada um foram e estão sendo impactados.

O trabalho organizacional realizado com afinco nesses últimos anos, sem saber logicamente o que vinha pela frente (e que vírus!) tem nos possibilitado passar por essa crise com tranquilidade e maturidade, para resolvermos cada um dos problemas de forma personalizada.

Essa pandemia não é eterna e logo mais passará, mas os valiosos aprendizados advindos dela, esses sim, são para a vida toda.

Gerir crise é navegar em águas revoltas. O ser humano busca segurança, tranquilidade, mas é com a turbulência que nós crescemos, aprendemos, passamos a ser mais humildes.

Após a Covid-19 encontraremos um mundo melhor. Estou certo de que a alegria e a emoção intrínsecos ao esporte, restritos a todos durante essa pandemia, servirão de combustão para recuperarmos o tempo perdido.