Coluna

Se posicionar ou não, eis a questão…

10 jun, 2020
Fábio Wolff

Sócio-diretor da Wolff Sports e professor no MBA de Gestão e Marketing Esportivo da Trevisan Escola de Negócios

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Graças à tecnologia, a informação é processada de maneira cada vez mais rápida. Somos bombardeados diariamente por intermédio de avalanche de notícias oriundas de diversas fontes, entre veículos e redes sociais.

Ahhhh! As redes sociais! As adoradas redes sociais criaram uma dinâmica no mundo em que uma frase e/ou posicionamento infeliz podem causar danos irreparáveis à imagem da empresa ou da celebridade.

No sábado, dia 6, Greg Glassman, fundador da marca Crossfit, cometeu um terrível deslize que custou o patrocínio da Reebok a sua empresa, entre outros prejuízos (Leia nota do portal MKT Esportivo sobre o assunto clicando aqui). O Institute for Health Metrics and Evaluation postou no Twitter a frase “Racism is a public health issue”, que teve o comentário “It’s FLOYD-19”, frase infeliz, lamentável e  politicamente incorreta de Glassman.

Enquanto isto, um dia antes (5 de junho), o maior jogador de basquete de todos os tempos, Michael Jordan, anunciou a doação de 10 milhões de dólares por ano, durante 10 anos, para o combate ao racismo. Vale lembrar que, antes de sua aposentadoria das quadras, Jordan era avesso a polêmicas, já que focava unicamente em sua carreira profissional.

No capítulo quinto da imperdível série The Last Dance (disponível no Netflix), Michael Jordan é cobrado pela imprensa por se isentar publicamente quanto ao processo eleitoral, quando Harvey Gantt tentava ser o primeiro senador afrodescendente da Carolina do Norte. O candidato disputava a vaga com Jesse Helms, do partido Republicano, que se posicionava favoravelmente, por exemplo, à segregação racial nas escolas e contrário à criação do feriado em homenagem à Martin Luther King Jr. Entre os colegas do Chicago Bulls, Jordan informalmente comentou que “os republicanos também compram tênis de esporte”. No entanto, secretamente, Jordan auxiliou financeiramente a campanha de Gantt.

No mundo de hoje muitas celebridades são cobradas por seus seguidores ou pela mídia por posicionamentos sobre assunto x ou y.

Por exemplo, às vésperas da eleição presidencial, a cantora Anitta foi cobrada pelos fãs e também por outros artistas sobre o seu posicionamento em relação ao então candidato à presidência da república, Jair Bolsonaro.

O mesmo ocorreu recentemente quando o empresário e influencer Felipe Neto cobrou Neymar sobre o seu posicionamento a respeito do caso George Floyd. Aliás, essa cobrança gerou polêmica e mal estar, a ponto de Felipe Neto recuar e apagar o post.

Mas, afinal, devo me posicionar ou não?

Não existe regra quando se trata de posicionamento:

– Há celebridades/atletas que não querem se posicionar;
– Alguns não tem condições por desconhecimento do assunto;
– Outros são impedidos contratualmente;
– E há aqueles que, mesmo teoricamente impedidos por contrato, têm a coragem de expor suas ideias.

No final das contas, o mais importante é que se preserve sempre a liberdade de expressão.