Coluna

Estamos realmente prontos para inovações?

3 set, 2020
Eduardo Esteves

Diretor Executivo do MKTEsportivo

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O torcedor do Bahia tem razão em reclamar: a entrevista que o presidente dá satisfação sobre a demissão do treinador deveria ser aberta a todos, não apenas para quem paga um plano. Mas esse não é o nosso foco. Queremos abordar a dificuldade de se lançar no Brasil serviços inovadoras ou que se adequam a uma nova realidade de consumo.

O fato do Bahia ter levado a entrevista apenas para os assinantes do Sócio Digital fez com que sofresse inúmeras críticas (acompanhe os comentários no tweet abaixo). O mesmo aconteceria se fosse a chegada de um reforço, de um novo patrocinador. Agora imagine um clube que lança sua plataforma, transmite jogos ao vivo (como TODO torcedor clama) e perde jogo após jogo? Acha mesmo que o torcedor seguirá pagando se o time não dá retorno em campo? Como se isso estivesse ligado. Não está.

Fora problemas de sinal, delay, investimento em estrutura, mão de obra. Tudo muito alto. Não tem jeito: o público consumidor de futebol é o mais exigente que existe.

Portanto, não podemos mais nos iludir. Seja qual for o serviço, pioneiro, inovador ou vanguardista, em algum momento irão reclamar e os times sofrerão as consequências (no caso, críticas em redes sociais e cancelamento de assinaturas).

Tudo é maravilhoso quando lançado. É ótimo mostrar que o seu clube foi inovador, postar nas redes sociais, provocar o adversário. Mas virá pó tão logo as coisas não saem como ele/ela esperava. Sim, torcedor é mimado e exigente. Por outro lado, os clubes precisam formatar melhor suas entregas e ter o mínimo de bom senso.

Ainda temos muito que evoluir. Até por isso somos tão reticente com algumas questões, como streaming próprio, planos de conteúdo por demanda e outras frentes que envolvam o bolso e o coração de uma massa.

Estamos mesmo prontos?