Coluna

Como ficarão os patrocínios esportivos no Brasil pós-pandemia?

26 maio, 2020
Fábio Wolff

Sócio-diretor da Wolff Sports e professor no MBA de Gestão e Marketing Esportivo da Trevisan Escola de Negócios

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A pandemia chegou em março ao Brasil, aos poucos foi ganhando força e hoje, infelizmente, o país vive dias dramáticos à medida em que o número de casos e mortes aumentam. Assim como ocorreu em outras localidades no mundo, a exemplo da Europa e Ásia, onde o pior já passou, a expectativa é de que o mesmo ocorra em breve por aqui.

Mas, afinal, como encontraremos o mercado de patrocínio esportivo brasileiro em 2020 quando o pior passar? Descrevo e analiso alguns cenários.

Contratos vigentes de longa duração: voltarão à normalidade tão logo as entregas se restabeleçam. Nesses casos, será preciso estender a duração dos mesmos por igual período em que as entregas ficarem suspensas. Tenho observado prevalecer o bom senso na maioria das parcerias, afinal, tratam-se de contratos de longa duração, ou seja, muitas dessas parcerias estão em processo de construção de cases.

Contratos vigentes de curta duração: são parcerias com maior risco na continuidade após o final do período contratual, em função de incertezas econômicas e estratégicas das empresas. Aguarda-se a proatividade do contratado em relação ao contratante, ou seja, o ideal seria ele bonificar e ter bom senso nesse momento difícil. Tal atitude, certamente, o beneficiará mais adiante, quando da possível discussão para uma renovação de contrato.

Elaborar bons contratos é fundamental, especialmente em momentos inusitados como este da pandemia. Vale frisar que, em momentos de estresse surgem as verdadeiras facetas das pessoas e das empresas, por isso considero que essa pandemia tem sido muito proveitosa no sentido de ver quem são e quem não são os verdadeiros parceiros.

Novos negócios: estima-se um retorno das atividades esportivas em junho/julho no Brasil, sem público, é claro. Muitas oportunidades estarão disponíveis no mercado, afinal, todos (ou quase todos) os detentores de direitos possuem propriedades comerciais disponíveis e tão logo o calendário seja restabelecido, os departamentos comerciais voltarão a bater às portas das empresas.

Então, surge a grande questão: como encontraremos o apetite dessas empresas para investir em novos negócios?

Considerando que o período de outubro a janeiro costuma ser o mais fértil, momento em que a maioria das companhias definem os seus respectivos budgets, estratégias e, consequentemente, os seus investimentos, nos meses de junho e julho o budget de muitas já se encontra alocado integralmente. Ou pelo menos parte dele.

É também verdadeiro que há empresas que reservam verbas para investimentos em oportunidades que podem surgir ao longo do ano.

Mas o que ocorrerá em um ano atípico como esse?

Alguns segmentos como alimentação, farmacêutico e de streaming, estão faturando mais, de maneira que se torna óbvia a prospecção prioritária das empresas relacionadas a estes mercados.

Em contrapartida, alguns segmentos, como o das montadoras de veículos, foram severamente afetados, com quedas de até 90% na receita. Nesses casos, lógico que é válido prospectar, porém o patrocinador em potencial deverá ser abordado de forma cirúrgica.

Afinal, quando a vida voltar ao “novo normal”, os desejos por produtos e serviços reprimidos durante a pandemia retornarão. No entanto, ainda não sabemos com que força isso ocorrerá, mas, com certeza, nos depararemos com a presença de uma economia mais desaquecida.

O brasileiro é louco por esportes, a ausência dos eventos ao vivo tem aumentado o desejo e o valor das pessoas por eles. Os jogos reprisados pela Rede Globo aos domingos, da seleção brasileira, e de times em geral, têm proporcionado boas audiências à emissora.

Nesse momento de mais incertezas que do que certezas, é possível afirmar que o esporte retornará ainda mais forte na vida das pessoas e as empresas que tiverem essa visão, no sentido da construção de parcerias sólidas, se beneficiarão no futuro.

Evidente que nós, profissionais do mercado esportivo, encontraremos dificuldades nos próximos meses, mas ainda seria um exercício de futurologia afirmar que teremos um encolhimento no curto prazo de x ou y do mercado de patrocínio esportivo no Brasil.

A verdade, de fato, só o tempo dirá.