Coluna

Como a CBF perdeu R$ 35 milhões por ignorar a gestão de seus ativos digitais

É crucial que os clubes adotem estratégias inovadoras para protegerem seus ativos digitais e, ao mesmo tempo, explorem oportunidades de receita

Como a CBF perdeu R$ 35 milhões por ignorar a gestão de seus ativos digitais

11 de janeiro de 2024

5 minutos de Leitura

Adalberto Generoso
Adalberto Generoso
CoFundador e CEO da Yapoli, empreendedor serial com mais de 10 anos de experiência em tecnologia, marketing e digital e vencedor de 3 Cannes Lions.

Em um cenário contemporâneo marcado pela incessante busca por inovação e eficiência, o futebol, enquanto indústria, não está imune às transformações digitais e aos desafios cibernéticos.

Recentemente, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) enfrentou uma invasão de seus documentos nas redes, resultando no furto de documentos sensíveis. O impacto financeiro dessa violação foi estimado em mais de US$ 4,75 milhões, conforme revelado pelo relatório de custo da violação de dados de 2023 da IBM

Diante desse panorama, é crucial que os clubes de futebol adotem estratégias inovadoras para protegerem seus ativos digitais e, ao mesmo tempo, explorem oportunidades de receita. 

Nesse contexto, a declaração do CTO do Real Madrid, Michael Sutherland, ressoa profundamente: “O que realmente gera valor verdadeiro é quando você começa a pensar em inovação que pode ter um impacto comercial significativo no longo prazo.”

A convergência entre Patrimônio Histórico e Marketing representa uma abordagem pioneira para os clubes. Transformar a rica história em receita é uma tarefa árdua, mas o uso estratégico da ferramenta de Gerenciamento de Ativos Digitais (DAM) surge como uma solução indispensável. A interligação entre Acervo → Comunicação →   Acervo proporciona um ciclo contínuo, em que a história do clube se torna uma fonte inesgotável de conteúdo valioso.

No âmbito deste cenário, os papéis desempenhados pelo DAM são multifacetados e estratégicos:

1. Hub Global de Conteúdo: o DAM serve como o ponto central para o conteúdo interno e externo, facilitando a colaboração com parceiros.

2. Workflow de Comunicação e Marketing: a plataforma funciona como a espinha dorsal para os processos de comunicação e marketing, otimizando a eficiência operacional.

3. Acervo Histórico: preserva a rica história do clube, garantindo acessibilidade e usabilidade eficiente, por longo tempo.

4. Geração de Receita: transforma ativos digitais em oportunidades de receita, explorando mercados diversos.

5. Escala em Projetos Digitais: facilita a expansão e gestão eficaz de projetos digitais, impulsionando a presença online.

Em um horizonte de aproximadamente dois anos, um DAM transcenderá seu papel tradicional de organização e governança para se tornar uma fonte tangível de receita para os clubes, podendo gerar potencialmente até R$ 10 milhões de receita anual para clubes dentro do cenário desportivo brasileiro. 

A integração de tecnologias emergentes, como Inteligência Artificial (IA) e Machine Learning (ML), desempenha um papel crucial nessa revolução digital. “Dados são o novo petróleo”, afirma Clive Humby, matemático e empresário britânico. Contudo, a verdadeira inovação reside na capacidade de transformar esses dados em informações significativas para impulsionar o negócio.

O DAM, com sua capacidade crescente, utiliza IA e ML para realizar tagueamento automatizado em escala, convertendo imagens e vídeos em valiosos pontos de dados. Isso não apenas simplifica a organização, mas também prepara o terreno para a geração de receita. 

A aplicação de Inteligência Artificial Generativa (IAG) no processo amplifica ainda mais os benefícios. Com uma redução de 80% no tempo e um aumento impressionante de 220% na performance, os clubes de futebol estarão em uma posição estratégica para explorar novas oportunidades de receita.

Projetando para 2025, as perspectivas para o DAM são ainda mais ousadas. A capacidade de classificação automatizada multi-idioma dos materiais, levando em consideração a performance de vendas e demanda, representa um salto qualitativo. A transformação de ativos digitais em receita ocorre por meio de interfaces próprias do clube, bem como parcerias com canais especializados, como GettyImages, Shutterstock e Adobe Stock.

Entretanto, a evolução contínua é essencial, especialmente em um ambiente regulatório complexo. A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e o Regulamento Geral de Proteção de Dados (GDPR) são referências cruciais para garantir a privacidade e segurança dos dados. 

O roadmap do DAM, portanto, deve ser composto por uma abordagem de melhoria contínua, incorporando feedback dos clientes, implementando novas funcionalidades, aprimorando a segurança e garantindo escalabilidade.

Em conclusão, a gestão digital de ativos surge como um impulsionador transformador para os clubes de futebol, não apenas protegendo contra ameaças cibernéticas, mas também gerando novas receitas ao preservar e monetizar sua rica história.

A perda significativa da CBF, em torno de 25 milhões de reais, decorrente da violação da segurança (mais a “perda potencial” de 10 milhões de reais em novas receitas e/ou economias), destaca a vulnerabilidade das instituições esportivas à cibersegurança. Portanto, a importância de investir nessa área, ao adotar estratégias de gestão de ativos digitais, se torna ainda mais evidente e crucial para sua proteção e maximização das receitas por eles geradas. 

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