Indústria

Iaaf abre investigação contra a Nike por ‘doping tecnológico’

Marca está sendo investigada para saber se a tecnologia presente em seus calçados não estaria melhorando a performance dos atletas

25 out, 2019

Se nesta mesma semana a Nike anunciou a saída de seu CEO, Mark Parker, cujo nome apareceu envolvido no escândalo que baniu do atletismo o treinador Alberto Salazar por doping, a empresa enfrenta agora outra acusação: a de que seus dois principais calçados para correr, Vaporfly 4% e Vaporfly Next%, foram responsáveis por um “doping tecnológico”.

Desde que foi lançado, em 2016, os embaixadores da Nike que utilizam os modelos começaram a se destacar ainda mais na corrida. Dentro de um período de pouco mais de um ano, cinco recordes da maratona foram quebrados por atletas vestindo esses calçados. Este protagonismo acabou chamando atenção das marcas concorrentes.

Muitas delas enviaram documentos à Iaaf, a federação internacional de atletismo, pedindo que fosse aberta uma investigação para saber se a tecnologia presente no calçado não estaria melhorando a performance. Em declaração ao “The Times”, a entidade confirmou que criou um grupo de trabalho exclusivo para analisar o caso.

Vale lembrar que, pelo regulamento da Iaaf, os calçados não podem oferecer uma vantagem “injusta” aos atletas. Além do escândalo de doping, outro caso motivou uma discussão mais ampla sobre o tema: Eliud Kipchoge, atleta da marca, ter sido o primeiro homem a correr uma maratona abaixo de 2h, durante a Maratona de Viena. No evento, ele usou um protótipo de um modelo turbinado do Vaporfly (foto), que trazia novos elementos tecnológicos na entressola.

Ainda nesta semana, o Jornal Britânico de Medicina no Esporte propôs um limite de tamanho de entressola para o tênis usado pelos atletas. Enquanto a sugestão é um espaço de 31mm para tirar a vantagem competitiva do tênis, o Vaporfly tem 36mm.